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Real supera peso argentino e é a 5ª moeda que mais perdeu valor frente ao dólar no ano; veja ranking

Segundo agência de classificação de risco Austin Rating, mais de 75 moedas tiveram desvalorização; confira ranking dos 10 que tiveram maior queda

20 jun 2024 - 09h37
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O real está entre as moedas do mundo que mais perderam valor em relação ao dólar neste ano, segundo levantamento da agência classificadora de risco Austin Rating. Segundo o estudo, o real teve variação negativa de 11,4% até esta quarta-feira, 19, e ocupa a quinta posição no ranking das dez moedas que tiveram maiores desvalorizações em 2024.

Na América Latina, a moeda brasileira é a que mais perdeu valor no comparativo com a moeda norte-americana, ficando atrás inclusive da Argentina, que registrou queda de 10,8% do peso argentino frente ao dólar. Até o dia 13 deste mês o real ocupava a sexta posição - ou seja, subiu uma posição no ranking geral, ultrapassando justamente o peso argentino.

Juros dos EUA e conflitos geopolíticos

Segundo Alex Agostini, um dos principais motivos da desvalorização das moedas está relacionado aos juros nos Estados Unidos, que subiram muito e permanecem em nível muito elevado, sem perspectiva de redução. "Obviamente que investidores acabam migrando os seus recursos para títulos do tesouro norte-americano, que são mais seguros, mesmo tendo uma rentabilidade muito menor do que a do Brasil", afirma.

Os conflitos geopolíticos também ajudam a explicar a situação, sobretudo os conflitos entre Rússia e Ucrânia e o ataque do grupo terrorista Hamas a Israel. "Acaba elevando os ânimos também em nível global, já que existe uma preocupação de outras nações se envolverem, o que dá mais combustível para as desvalorizações das moedas em geral", afirma.

O economista-chefe da Austin Rating afirma que, neste contexto, o Brasil acaba sendo mais impactado. "O Brasil, sendo um país emergente com o nível de taxas de juros ainda bastante elevado, é uma democracia e tem boas instituições, os investidores acabam alocando o recurso para cá ao longo do tempo, seja no setor produtivo ou no mercado financeiro. Porém, em momentos de crise, como a crise de confiança, os investidores retiram recursos do Brasil e levam para economias mais seguras, tais como os Estados Unidos, Europa, entre outras", afirma.

Além disso, ele explica que o problema adicional que tem feito o Brasil disparar e ser ali a quinta moeda que mais desvaloriza no mundo frente ao dólar, é um grande risco de descontrole fiscal. "O governo já vem dando sinais de que não está muito disposto a ter um controle de gastos, né? O governo não apresenta nenhum plano de redução de despesa, nenhum plano de privatizações que seria a venda de ativos para tentar equilibrar o gasto público", diz.

Paralelo a isso, ele questiona a elevação de gastos públicos, citando como exemplo o pé-de-meia, um programa de incentivo financeiro-educacional, e o aumento do salário mínimo. "A assistência social, ela é importante até pelas diferenças regionais que existem no Brasil, país que tem uma grave concentração de renda. Então é preciso o governo fazer o assistencialismo. O ponto é que só pode fazer isso se tiver as contas em dia. Se não tem, precisa vender ativos, privatizar. Ele [Lula] já falou que não vai. Até quer rever para reverter o que foi feito na Eletrobras. Então, é uma sinalização muito negativa para os investidores, para os empresários", afirma o economista-chefe.

Ele afirma que o descontrole nas contas públicas, em um primeiro momento, eleva a inflação, depois, eleva a taxa de juros, e no terceiro momento, desacelera atividade econômica. "No quarto momento, a gente tem o risco de entrar numa recessão repetindo o que aconteceu em 2015 e 2016. A gente sabe que a economia a história pode se repetir e a gente sabe quais são as consequências", afirma.

Estadão
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