Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Quem é a brasileira que se tornou a bilionária mais jovem do mundo a construir a própria fortuna

Luana Lopes Lara, de 29 anos, fundou a empresa de mercado de previsões Kalshi em 2018, com um amigo; após nova rodada de investimentos, startup passou a ser avaliada em US$ 11 bilhões e fortuna de Luana em US$ 1,3 bilhão

4 dez 2025 - 08h38
(atualizado às 14h56)
Compartilhar
Exibir comentários

A brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, tornou-se a bilionária "self-made" - termo usado para descrever aqueles que constroem a própria fortuna - mais jovem do mundo, segundo a revista Forbes. Luana conquistou o posto após sua empresa de mercado de previsões, a Kalshi, levantar US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos anunciada na terça-feira, 2, passando a ser avaliada em US$ 11 bilhões.

Antes desse aporte, a Kalshi já havia levantado US$ 185 milhões em junho, sendo avaliada em US$ 2 bilhões, e US$ 300 milhões em outubro, quando a avaliação atingiu US$ 5 bilhões. Com o crescimento da empresa, as fortunas de Luana e de seu sócio, Tarek Mansour - que detêm cerca de 12% da Kalshi cada um - estão estimadas em US$ 1,3 bilhão cada.

A brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, tornou-se a bilionária 'self-made' mais jovem do mundo.
A brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, tornou-se a bilionária 'self-made' mais jovem do mundo.
Foto: Reprodução/Instagram via @luana_lopes_lara / Estadão

Com essa fortuna, Luana tornou-se a bilionária mais jovem do mundo a ter alcançado sucesso financeiro por conta própria, superando a fundadora da Scale AI, Lucy Guo, de 31 anos, que havia tirado o posto da cantora Taylor Swift, de 35 anos, em abril.

Quem é Luana Lopes Lara?

Antes de empreender, Luana seguiu a carreira de bailarina. Nascida em Belo Horizonte (MG), ela morou por alguns anos em Joinville (SC), onde estudou na Escola de Teatro Bolshoi. Apesar dos desafios do mundo dos negócios, ela considera que os "anos mais intensos" de sua vida foram justamente durante o ensino médio.

Em entrevista à Forbes, Luana contou que seus professores de balé seguravam cigarros acesos sob sua coxa enquanto ela estendia uma das pernas até a orelha, como um teste para medir por quanto tempo conseguia mantê-la levantada. A rotina era rígida: das 7h às 12h, ela frequentava aulas acadêmicas tradicionais e, das 13h às 21h, aulas de dança.

Mesmo nesse ritmo intenso, a brasileira ainda encontrava tempo para estudar para competições acadêmicas, inspirada pela mãe, professora de matemática, e pelo pai, engenheiro elétrico. Ela conquistou uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e uma de bronze na Olimpíada de Matemática de Santa Catarina.

Das sapatilhas para o MIT

Depois de concluir o ensino médio, Luana mudou-se para a Áustria, onde atuou como bailarina profissional no Teatro Estatal de Salzburgo. Nove meses depois, no entanto, ela decidiu mudar completamente de rota e cursar Ciências da Computação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge, nos Estados Unidos - uma das principais faculdades de tecnologia e ciências do mundo.

Foi lá que ela conheceu seu sócio, que também estudava Ciências da Computação. Mansour - nascido nos EUA e criado no Líbano - contou à Forbes que Luana sempre sentava-se na primeira fila das aulas. Ele decidiu sentar ao lado dela e os dois tornaram-se amigos.

A amizade ficou mais forte quando eles estagiaram juntos na corretora Five Rings Capital, em Nova York, em 2018. Luana disse à Forbes que a ideia de abrir um negócio no mercado de previsão surgiu durante o trajeto de volta do trabalho. "Percebemos que a maioria das negociações acontece quando as pessoas têm alguma visão sobre o futuro e tentam encontrar uma maneira de refletir isso nos mercados", afirmou.

Segundo a brasileira, o objetivo era permitir que investidores negociassem diretamente a probabilidade de eventos, como resultados de eleições ou fenômenos climáticos, em vez de negociá-los indiretamente por meio de mercados financeiros tradicionais.

Criação da Kalshi

Luana e Mansour se inscreveram na aceleradora de startups Y Combinator e foram aceitos em 2019, mas enfrentaram um obstáculo: o mercado de previsões ainda não era regulamentado nos EUA. A dupla, então, entrou em contato com mais de 40 advogados para entender como conseguir a aprovação federal, mas nenhum deles quis ajudar devido à pouca idade dos fundadores e ao tamanho da empresa.

"Logo depois da faculdade, estávamos assumindo uma quantidade insana de riscos. Foram dois anos sem um único produto - nada lançado - e, se não conseguíssemos a regulamentação, a empresa simplesmente iria à falência", disse Luana à Forbes. Na época, eles ainda precisavam lidar com a pandemia e a distância, já que ela estava em Londres e Mansour em Beirute.

No final, os sócios conseguiram o apoio do advogado Jeff Bandman, que já havia trabalhado para a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão independente do governo americano que regula o mercado de futuros. Em novembro de 2020, a Kalshi recebeu autorização da CFTC para operar como Mercado de Contratos Designado (DCM), classificando seus mercados de previsão como um tipo de derivativo conhecido como contrato de eventos - instrumentos financeiros que permitem apostar no resultado de acontecimentos futuros, como eleições, jogos de futebol e premiações do mundo pop.

No entanto, no fim de 2023, a CFTC rejeitou os contratos eleitorais da empresa por considerá-los semelhantes a jogos de azar. Luana recorreu à Justiça e, em setembro do ano passado, a Kalshi conseguiu autorização para oferecer os primeiros contratos eleitorais legais nos EUA em mais de um século. Os usuários da plataforma apostaram mais de US$ 500 milhões em candidatos nas eleições americanas do ano passado e previram corretamente a vitória de Donald Trump.

Atualmente, mais de 90% do volume da empresa vem de apostas esportivas, segundo a Forbes. A Kalshi afirma que seu volume de negociações cresceu 1000% desde o ano passado e agora ultrapassa US$ 1 bilhão por semana. Ela tem parceiros variados, que vão da Liga Nacional de Hóquei (NHL) ao marketplace StockX. O filho mais velho de Trump, Donald Trump Jr., entrou no conselho consultivo da Kalshi em janeiro.

A rodada de investimentos anunciada nesta terça-feira foi liderada pela empresa de capital de risco Paradigm, especializada em criptomoedas, com participação de investidores como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator.

Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra