Brasil resolverá embargo da carne pela UE: 'Não há problema em tirar os antibióticos', diz Fávaro
Ex-ministro da Agricultura afirma que o Brasil pode suspender o uso de antibióticos na pecuária destinada à União Europeia e acredita em acordo antes de setembro
O senador e ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD) afirmou neste sábado, 20, que o governo brasileiro irá conseguir solucionar o embargo para a venda da carne brasileira aos países da União Europeia (UE) até setembro, quando a medida entra em vigor, contanto que atenda à exigência de cessar o uso de antibióticos na pecuária nacional direcionada para o bloco.
"Não temos nenhum problema em retirar o uso de antibióticos e, se é isso que o comprador exige, nós vamos retirar. É essa recomendação que fiz ao presidente Lula e sei que o ministro André (Agricultura) vai trabalhar nisso. Tenho certeza de que até setembro estará resolvido", disse a jornalistas durante evento do setor ferroviário, em Dom Aquino (MT).
A União Europeia anunciou, no início de maio, que suspenderá a importação de carnes do Brasil por causa da falta de comprovação do controle no uso de medicamentos. A regra exige o fim do uso de antimicrobianos (como antibióticos) misturados à ração para promover o crescimento animal, além de maior controle na venda de remédios veterinários. A preocupação é que as pessoas na UE desenvolvam infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos.
A restrição decorre da entrada em vigor de novas regras sanitárias da UE, que exigem dos países exportadores comprovação de que os animais destinados ao bloco não receberam antimicrobianos utilizados para promoção de crescimento e que há mecanismos de rastreabilidade e controle sobre o uso desses medicamentos.
Segundo Fávaro, a decisão é "apenas" mais uma das ações de países e blocos econômicos que não conseguem "competir" com o Brasil no setor do agronegócio e buscam maneiras de tentar reduzir a presença do produtor brasileiro em seus territórios.
"Cada vez mais os países têm dificuldade de competir com os produtos da pecuária brasileira. Ninguém consegue competir e ficam buscando barreiras sanitárias, barreiras ambientais."
*O repórter viajou a convite da Rumo.
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