Público comparece ao último dia do Playcenter e lamenta fechamento
A opinião é unânime: tanto quem foi pela primeira vez quanto quem frequenta o Playcenter desde que o Parque foi criado, há 40 anos, reclama do fechamento. No último dia de funcionamento, neste domingo, o sol ajudou e levou um grande número de "nostálgicos" ao parque de São Paulo. Grupos de famílias e amigos não se importaram com as filas, mas diziam que estavam indignados com a mudança do perfil do parque que fecha neste domingo e reabre remodelado - sem atrações radicais e com foco no público infantil -no primeiro semestre de 2013."Tem seis anos que venho com a minha família, sempre no mês de julho, o parque vai deixar muitas saudades", diz a doméstica Andrea Nascimento da Silva, 35 anos, que foi ao local acompanhada da mãe, filha, irmãs e sobrinhas. "Vamos curtir até o último minuto, venho aqui desde que tinha a Orca", conta o despachante Vagner Luis de Oliveira, 46 anos. Sua mulher, a administradora Elaine Ramaro, 35 anos, que frequenta o parque desde a infância também ficou chateada com o fechamento. "É meio nostálgico, deu a maior saudade e quando falaram que ia fechar resolvemos vir pela última vez para nos despedir", comentou."São Paulo já tem tão poucas opções de lazer, é ruim perder o parque, era mais um local para curtir com a família", diz o técnico Fábio da Silva Gomes, 42 anos, que foi ao parque acompanhado da mulher e das duas filhas. Indagado sobre se iria voltar após a inauguração do parque infantil, disse que provavelmente levará a filha Taiane, de 5 anos, mas que acha que o público vai diminuir bastante. "os pais agora aproveitam junto com os filhos, depois vão virar só acompanhantes", lamenta.De acordo com a assessoria de imprensa do Playcenter, desde que foi anunciado o fechamento do parque, em maio, o número de visitantes no local aumentou 40%. No último mês, o número médio de visitantes diários passou de 4,5 mil para 7 mil. O balanço do público que visitou o local no último dia será divulgado após às 19h, horário de fechamento do local.
Primeira visita
Nem as filas em alguns brinquedos, que chegaram a 1h30 por volta das 15h, espantaram Felipe Linares, 12 anos, que visitava o local pela primeira vez com a família. "É muito legal, principalmente o Splash (pequena montanha russa que cai na água), se eu soubesse que era tão bom já tinha vindo antes", diz. O irmão Douglas Linares, de 17 anos, diz que vai sentir falta do programa. "A gente sempre vinha nas férias, pena que não vai dar para voltar", diz.
Novo parqueO parque que ocupará o local do Playcente, ainda sem nome, será voltado para o público de até dez anos, mas promete agradar a toda a família. Com inauguração prevista para 2013, o local receberá investimentos de R$ 40 milhões, dentre custos de projeto, obras de infraestrutura, a aquisição de equipamentos inéditos, o lançamento e o início de funcionamento do novo parque.
Conforme o dono do parque, Marcelo Gutglas, a decisão de mudar o foco do Playcenter foi tomada há dois anos. Por meio de pesquisas eles identificaram que faltava parques de diversão para a família toda em São Paulo e resolveram investir no nicho, seguindo os moldes dos internacionais Legoland e os parques da Nickelodeon. "O conceito do novo parque é oferecer serviços e atrações de qualidade, onde pais e filhos possam se divertir juntos, com serviços de qualidade premium", conta.
InícioIdealizado no início da década de 1970, o parque começou com uma montanha-russa italiana de aço, que foi instalada em frente ao ginásio do Ibirapuera. Em 27 de julho de 1973, o parque se instalou no terreno da Barra Funda, onde está até hoje em uma área de cerca de 85 mil m² próximo à marginal Tietê, esquina com rua José Gomes Falcão. Nos primeiros anos, o local possuía apenas 32 mil metros quadrados e cerca de 15 atrações, galeria de jogos e praça de alimentação. Cerca de 60 milhões de visitantes já passaram pelo local, conforme a empresa.
Relembre momentos importantes
Início
Marcelo Gutglas, que inseriu no País as máquinas de fliperama no final dos anos 1960, criou o parque no início da década de 70. Em 1973, ele foi transferido para o local atual, no bairro Barra Funda.
Ciclone
A montanha-russa Ciclone, de origem alemã, foi a primeira de aço do Brasil e nos seus primeiros dias de funcionamento operou por 24h seguidas para atender a demanda de público que visitava o parque.
King Kong
No ano de 1977, durante um evento na época de lançamento do filme King Kong, foi montado um gorila de 15 metros no parque e, no dia de estreia do filme, a atriz Jéssica Lange, estrela do longa, marcou presença no parque e repetiu a cena em que King Kong a coloca dentro de sua mão, de acordo com informações da empresa.
Projetos sociais
Em 1977, o parque criou o projeto Playcenter Escola, focado no ensino fundamental I, e que oferece atividades como teatro, trava- línguas, personagens lúdicos e livro paradidático, tendo como tema central a vida e obra de Heitor Villa-Lobos, diz a assessoria. A partir de 1997, o parque realiza o programa Play Escola, em que parte do local se transforma em um laboratório de ciências, em parceria com escolas públicas e privadas.
Michael Jackson
Em 1993, o cantor Michael Jackson teve um dia só para ele no Playcenter. Segundo informações da empresa, Michael Jackson foi bem discreto e gostou da Montanha Encantada. Durante sua visita pediu música dos Beatles e depois sua própria música tocou a pedido de uma das crianças que o acompanhavam.
Montanha Encantada
O brinqueda fez parte das atrações do parque desde o final da década de 1970 até 2005. Era uma atração elétro-animada no estilo "It's a Small World" da Disney, possuía 20 barcos em forma de tronco de madeira com capacidade para cinco visitantes cada e ocupava uma área de 3 mil metros quadrados.
Acidentes
Nos 40 anos de parque o Playcenter enfrentou problemas com acidentes. Um no brinquedo Double-Shock, em abril de 2011, deixou oito pessoas feridas, três delas em estado grave. Um documento mostrou que houve falha humana por parte do funcionário responsável pelo equipamento. Em setembro de 2010, outro acidente deixou 16 pessoas feridas. Um carrinho do brinquedo Looping Star, que faz uma curva em uma velocidade de 90 km/h, colidiu com o da frente.
Shows
O espaço do parque recebe shows desde o início. O astro do rock Bill Halley fez uma apresentação com cerca de 40 mil pessoas em 1975. No início dos anos 80, o local contou a a apresentação dos Menudos. Na história mais recente, o Playcenter foi palco para o festival Planeta Terra, com shows de estrelas como Iggy Pop, Smashing Pumpkins, Strokes, Pavement, entre outros. Em 1983, o Dolphin's Show levou ao Brasil o golfinho Flipper.
Redução
Em 2006, o parque devolveu aos proprietários do terreno uma área de 40 m².Em 2011, os proprietários venderam 12 mil m² à incorporadora de imóveis PDG Realty, empresa, criada em 2003 que atua em 17 Estados do País e no Distrito Federal e é a principal representante do setor no Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa).
Terror
As Noites do Terror acontecem desde 1988. Em 2011, o parque investiu R$ 4 milhões na produção das noites do Terror, com contratação de 300 profissionais, sendo 180 atores fantasiados e mais 120 trabalhando nos bastidores como maquiadores, produtores, caracterizadores, costureiras, dançarinos e artistas circences, conforme a assessoria de imprensa do parque.