Protestos no Irã entram no sexto dia com confrontos e 8 mortos e Trump promete 'socorrer' manifestantes
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram carros incendiados durante os confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou as autoridades iranianas contra o assassinato de manifestantes pacíficos, afirmando que Washington "irá em seu socorro".
Em uma breve publicação feita nesta sexta-feira (02/01) na rede social Truth Social, ele escreveu: "Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, o que é de seu costume, os Estados Unidos irão em seu socorro."
Trump não especificou que tipo de ação Washington poderia tomar contra as autoridades iranianas.
Um importante assessor do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, respondeu dizendo que Trump deveria "ter cuidado" caso interviesse, alertando para um possível caos em todo o Oriente Médio.
"Trump deveria saber que a interferência dos EUA nesse assunto interno significaria desestabilizar toda a região e destruir os interesses da América", escreveu.
Ao menos oito pessoas morreram durante uma escalada de violência no Irã, no sexto dia de protestos contra o aumento do custo de vida no país.
A agência de notícias semioficial Fars e o grupo de direitos humanos Hengaw relataram mortes em confrontos entre manifestantes e forças de segurança na cidade de Lordegan, no sudoeste do país.
Segundo a agência Fars, outras três pessoas morreram em Azna e uma em Kouhdasht, todas no oeste do Irã.
Na quinta-feira (01/01), vídeos publicados nas redes sociais mostraram carros incendiados durante confrontos entre manifestantes e policiais.
Muitos manifestantes pedem o fim do governo do líder supremo do país. Por outro lado, há aqueles que defendem a restauração da monarquia.
Protestos pelo país
Ao longo da quinta-feira, surgiram novos relatos de tumultos em todo o país, no quinto dia de protestos desencadeados pelo colapso da moeda.
Vídeos verificados pelo Serviço Persa da BBC mostram protestos realizados nas cidades de Lordegan, no centro do país, na capital Teerã e em Marvdasht, na província de Fars, no sul.
A agência de notícias Fars informou que duas pessoas morreram em Lordegan, citando uma fonte oficial. O comunicado não especificou se os mortos eram manifestantes ou integrantes das forças de segurança.
A Fars também relatou três mortes em Azna, na vizinha província de Lorestan, sem detalhar se as vítimas eram manifestantes ou agentes de segurança.
O grupo de direitos humanos Hengaw afirmou que os dois mortos em Lordegan eram manifestantes e os identificou como Ahmad Jalil e Sajjad Valamanesh.
O Serviço Persa da BBC afirmou não ter conseguido verificar as mortes de forma independente.
Em outra frente, a mídia estatal informou que um integrante das forças de segurança ligado à Guarda Revolucionária do Irã morreu em confrontos com manifestantes na noite de quarta-feira (31/12), na cidade de Kouhdasht, na província ocidental de Lorestan.
A BBC não conseguiu verificar essa informação, e manifestantes afirmam que o homem era um deles e que foi morto a tiros pelas forças de segurança.
Segundo a mídia estatal, outros 13 policiais e integrantes da milícia Basij ficaram feridos após serem atingidos por pedras na região.
Feriado para conter os tumultos
Escolas, universidades e instituições públicas permaneceram fechadas em todo o país na quarta, após as autoridades decretarem um feriado nacional, em uma aparente tentativa de conter os tumultos.
Oficialmente, a medida foi justificada como forma de economizar energia diante do frio, embora muitos iranianos tenham interpretado a medida como uma tentativa de conter os protestos.
As manifestações começaram no domingo (28/12) passado, em Teerã, entre comerciantes irritados com mais uma forte queda do valor da moeda iraniana frente ao dólar americano no mercado livre.
Na terça-feira (30/12), estudantes universitários aderiram aos protestos, que se espalharam por várias cidades, com pessoas entoando cânticos contra os líderes religiosos do país.
Os protestos foram os mais disseminados desde a revolta de 2022, desencadeada pela morte sob custódia de Mahsa Amini, uma jovem acusada pela polícia da moralidade de não usar o véu de forma adequada.
Por ora, no entanto, não atingiram a mesma escala.
Para evitar uma escalada da violência, a segurança foi reforçada nas áreas de Teerã onde os protestos começaram.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu governo ouvirá as "demandas legítimas" dos manifestantes.
Já o procurador-geral, Mohammad Movahedi-Azad, advertiu que qualquer tentativa de criar instabilidade enfrentará o que chamou de "resposta contundente".