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Produção para classe média e reestruturação estratégica ganham foco

Econ destina 50% dos lançamentos para faixa acima do MCMV e Tenda, campeã da edição anterior, cai para 7.ª posição

19 jun 2023 - 22h40
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ESPECIAL PARA O ESTADÃO - Construtora com larga produção de imóveis para o programa Minha Casa Minha Vida, destinado ao público de baixa renda, a Econ remodelou sua carteira de lançamentos e mudou de patamar. Metade dos 14 novos empreendimentos, que chegaram ao mercado em 2022, foi para atender a clientes da classe média, com o preço dos apartamentos na faixa de R$ 290 mil a R$ 600 mil.

Premiada no 30.º Top Imobiliário - na quinta colocação como incorporadora e na sexta entre as construtoras -, a Econ cresceu 17,5% no volume de apartamentos (para 4,6 mil unidades) e 55% em valor geral de vendas (VGV), passando de R$ 890 milhões em 2021 para R$ 1,38 bilhão no ano passado, segundo os registros da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

O diretor de Incorporação da Econ, Fábio Verçosa, diz que o número de novos projetos diminuiu. Foram 17 em 2021. "Optamos por empreendimentos maiores, com mais volume de VGV", explica. "Desenvolvemos os produtos para essa faixa de consumo de R$ 600 mil a partir da pandemia do coronavírus."

São apartamentos de dois e três dormitórios, com suíte, vaga de garagem e varanda. Estão em áreas servidas por metrô, trem e terminal de ônibus, afirma Verçosa, destacando, entre os lançamentos de 2022, o Walk Guarulhos, em frente ao Shopping Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.

"Um sucesso de vendas, com 70% vendido em 30 dias", declara. Tem 279 unidades, de dois dormitórios, 47 m², que custam, em média, R$ 7,5 mil por m². Unidades com suíte, de 56 m², sobem para R$ 8,5 mil o m².

Dentro do programa MCMV, cujo limite de preços atualmente é de R$ 264, mas deve subir em breve com as novas regras do programa habitacional, a Econ oferece apartamentos de dois dormitórios, uma parte com vaga de garagem, também localizados em áreas próximas a transporte público, com equipamentos de lazer e salão de festa.

Nesse segmento, um destaque, segundo Verçosa, é o Dom Jaraguá, na Avenida Jaraguá, com 530 unidades. Os apartamentos com vaga de garagem, 85% do total, custam R$ 264 mil e os sem vaga, R$ 220, diz Verçosa.

Novidade

Para 2023, a Econ prevê lançar 450 unidades de 1 dormitório dentro do MCMV, em empreendimentos com o mesmo conceito de boa localização e serviços, para atender solteiros ou jovens casais sem filhos. Terão de 26 m² a 29 m² e valor médio de R$ 180 mil. Para este ano, a empresa estima um crescimento de 15% a 20% em VGV, com o lançamento de 16 novos empreendimentos.

Com 22 anos de mercado, a Econ tem atuação exclusiva na cidade de São Paulo e região metropolitana, concorrendo com gigantes do setor. "Procuramos grandes terrenos próximos ao transporte público", afirma, ressaltando a importância dos itens de conforto nos empreendimentos do MCMV. "Temos varandas, vaga de garagem e lazer completo. O cliente se sente atendido", afirma.

Trot Vila Maria é um dos prédios de dois quartos lançados pela Econ.
Trot Vila Maria é um dos prédios de dois quartos lançados pela Econ.
Foto: Divulgação/Econ / Estadão

Ao contrário da Econ, que subiu no ranking das três categorias, o desempenho da Tenda foi no sentido inverso. Na edição anterior do Top Imobiliário, a empresa foi a campeã entre as construtoras e vice no ranking das incorporadoras. Na premiação deste ano, porém, caiu para a sétima posição em ambas as categorias.

Na comparação do volume de lançamentos de 2022 com o realizado em 2021, a queda foi geral, segundo os dados registrados pela Embraesp. Redução de 47% nos empreendimentos, para dez novos projetos, perda de 37% em número de apartamentos, para 4,8 mil unidades, e uma baixa de 23% no VGV para R$ 1,08 bilhão.

"Houve uma diminuição no volume dos lançamentos da Tenda", diz Daniela Ferrari, diretora regional de São Paulo da Tenda, apontando o "redirecionamento estratégico da construtora, cujo foco atual mira a capital paulista".

Nos primeiros três meses deste ano, lançou sete empreendimentos, um VGV total de R$ 447,6 milhões, uma redução de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, informa a diretora.

O desempenho, segundo ela, se justifica pela redução no número de unidades, parcialmente compensada pela estratégia de precificação mais alta para rentabilização de projetos. Esperando a definição dos novos parâmetros do programa MCMV, Daniela prevê um segundo semestre positivo para os negócios da Tenda, com a intensificação de vendas e dos lançamentos.

As novas regras do programa Minha Casa Minha Vida e as mudanças nos parâmetros, diz a diretora, vão "contribuir de forma positiva para os negócios da Tenda, uma vez que funciona com base nas faixas em que a empresa atua. "A Tenda poderá se beneficiar na melhora do preço e no aumento da demanda endereçada às menores faixas de renda que o programa alcançará."

Capital

Em outro programa habitacional, o Pode Entrar, da Prefeitura de São Paulo, a construtora teve 2.855 unidades contempladas, o que corresponde a R$ 577 milhões. Serão três empreendimentos: Estação Tolstoi, com 216 apartamentos e preço de R$ 210 mil; Guarapiranga, com 655 moradias por R$ 207 mil, e Citta Vila Prudente, com 1.984 habitações no valor de R$ 200 mil.

Daniela acredita que outras 1.468 unidades residenciais estão aptas a entrar na próxima fase do programa paulista. A executiva avalia positivamente o Pode Entrar pelo seu modelo de contratação, operacionalização e seu fim social. "Por consequência, acaba turbinando as habitações populares e fomenta o mercado imobiliário local", analisa.

No caso do MCMV, ela cita o lançamento do Viva Limão, próximo à futura linha laranja do metrô, com "uma localização privilegiada e procurada pelo nosso público". Tem duas torres, de 24 andares, com brinquedoteca, churrasqueira, fitness, pet place, quadra e salão de festas. Os apartamentos de um e dois dormitórios têm área de 32 a 34 m².

Em 2022, a curva de preços foi de R$160 mil até R$ 330 mil, preço das unidades do empreendimento Vista Villa Lobos, na Vila Leopoldina, zona oeste da cidade de São Paulo. Os apartamentos são de dois dormitórios, com área útil de 32 m², sem vaga de garagem. A previsão de entrega é agosto de 2024.

Depois de amargar um prejuízo de R$ 547 milhões em 2022, quando a construtora Tenda fez 33 lançamentos no Brasil, com VGV de R$ 2,3 bilhões, foi iniciado um processo de reestruturação que, segundo a administração da Tenda, já apresenta sinais de que a companhia hoje está no caminho certo.

O preço médio dos apartamentos subiram 36%, atingindo a faixa de R$ 202 mil.

Essa política de reajustes é um dos desafios da empresa para este ano de 2023, avalia Daniela. "O aumento de preço é fundamental para a rentabilização da companhia e a possibilidade de novos projetos diferenciados."

Estadão
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