Ibovespa recua e fecha abaixo de 170 mil pontos pressionado por Petrobras
O Ibovespa fechou com declínio modesto nesta terça-feira, ditado principalmente pela queda das ações da Petrobras, em mais uma sessão de recuo dos preços do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,45%, a 169.648,47 pontos, após marcar 169.121,31 pontos na mínima e 170.415,52 pontos na máxima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$27,94 bilhões.
Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a performance do Ibovespa refletiu uma combinação de cautela antes das decisões de juros nos Estados Unidos e Brasil na quarta-feira com a queda dos preços do petróleo.
O barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de 5,1%, a US$78,96, em meio a expectativas para a normalização do transporte no Estreito de Ormuz, após acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã.
Os EUA também permitirão que o Irã comece a vender petróleo e combustível imediatamente após a assinatura da versão final do acordo, de acordo com uma autoridade norte-americana de alto escalão.
Em Nova York, porém, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou com declínio de 0,57%, com investidores também na expectativa da decisão de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira.
O Banco Central também anuncia decisão sobre juros na quarta-feira, com a maioria das apostas na direção de mais um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 14,25% ao ano.
O cenário base da equipe de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual é de um último corte de 0,25 ponto, seguido de estabilidade até o fim de 2026
"Dada a deterioração relevante do cenário desde a última reunião e a maior assimetria do balanço de riscos, a decisão mais adequada seria pausar já em junho, mas a comunicação do BC continuou apontando para continuidade do processo de calibragem."
Em relação à comunicação, equipe do BTG disse esperar que o Comitê de Política Monetária (Copom) preserve a opcionalidade para as próximas reuniões, mas aumente a barra para a continuidade do ciclo.
"A semana começou com o Ibovespa novamente pressionado e cada vez mais perto do suporte de 168.100 pontos", destacaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista.
"Esse é um patamar perigoso para o índice, pois, abaixo dele, a tendência de médio prazo para o Ibovespa ficará ameaçada, o que trará um viés mais negativo para o segundo semestre de 2026."
De acordo com os analistas do Itaú BBA, para sair dessa tendência de baixa e retornar a um cenário neutro, o Ibovespa precisará superar a região dos 174.900 pontos
DESTAQUES
• PETROBRAS PN caiu 1,33% e PETROBRAS ON recuou 0,96%, em mais um dia negativo para as petrolíferas brasileiras, seguindo o movimento do petróleo no exterior. PRIO ON perdeu 0,44%, PETRORECONCAVO ON cedeu 2,15% e BRAVA ON fechou negociada em baixa de 2,68%.
• VALE ON subiu 0,34%, atuando como contrapeso, mesmo com o declínio dos futuros do minério de ferro na China. No setor, USIMINAS PNA tombou 6,2%, enquanto CSN ON caiu 1,15%, CSN MINERAÇÃO ON perdeu 0,91% e GERDAU PN recuou 0,3%. A Gerdau divulgou na véspera que fechou um acordo para aquisição da participação da Copel na DFESA, de geração de energia elétrica.
• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,12%, em dia de oscilações modestas entre os bancos do Ibovespa. BRADESCO PN registrou variação positiva de 0,06%, SANTANDER BRASIL UNIT fechou estável e BANCO DO BRASIL ON mostrou acréscimo de 0,05%. BTG PACTUAL UNIT cedeu 0,35%. O volume negociado de units do BTG Pactual ficou bem acima da média, com o Valor Econômico citando a venda em bloco de papéis do banco pela gestora americana GQG Partners.
• MAGAZINE LUIZA ON caiu 6,54%, tendo como pano de fundo dados sobre o varejo mais fracos do que as expectativas em abril, mas também relatório do UBS BB cortando o preço-alvo das ações para R$6,50, de R$10 anteriormente, e reiterando recomendação neutra. O índice de consumo da B3 fechou em queda de 0,33%.
• BRASKEM PNA desabou 9,23%, tendo no radar decisão da Justiça Federal em Alagoas que tornou a petroquímica e ex-dirigentes réus em processo que apura as responsabilidades pelo desastre socioambiental causado pela exploração de sal-gema em Maceió. A companhia disse que seguirá empenhada no cumprimento de todos os compromissos assumidos.
• REDE D'OR ON avançou 0,83%, endossado por relatório do BTG Pactual reiterando a recomendação de compra para os papéis, com os analistas citando fundamentos operacionais resilientes, com desempenho sólido tanto nos segmentos de seguros quanto hospitalar, crescimento orgânico saudável, resiliência de margens e fortes perspectivas de geração de caixa livre.
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