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Produção industrial sobe 0,1% em abril, abaixo das previsões do mercado

Expectativa era de alta de 0,5%; produção caiu 0,3% em relação a abril de 2024, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE

4 jun 2025 - 10h09
(atualizado em 4/6/2025 às 00h05)
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RIO - A indústria brasileira iniciou o segundo trimestre no azul. A produção cresceu 0,1% em abril em relação a março, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta terça-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora positivo, o resultado foi mais fraco do que o avanço mediano de 0,5% previsto por analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast. Segundo a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitoria, os dados da pesquisa mostram uma tendência de desaceleração.

"Ainda assim, o nível de atividade industrial pode ser considerado robusto e seu esfriamento vem ocorrendo de maneira lenta e um pouco ruidosa. Esse cenário deve reforçar o comunicado do Banco Central de que a política monetária deve permanecer restritiva por um prazo mais prolongado, até que se tenha maior evidência de desaceleração e seu consequente impacto na inflação e suas expectativas", avaliou Rafaela Vitoria, em comentário.

A indústria já contabiliza uma sequência de quatro meses sucessivos de avanços: janeiro (0,2%), fevereiro (0,1%), março (1,2%) e abril (0,1%).

"Tem o fato positivo de permanecer mostrando crescimento. A maioria das categorias econômicas e das atividades está com aumento na produção", disse André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE. "Por outro lado, tem a indústria de transformação mostrando queda na produção em abril (-0,5%)."

Produção industrial subiu 2,40% no acumulado em 12 meses, segundo o IBGE
Produção industrial subiu 2,40% no acumulado em 12 meses, segundo o IBGE
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

Para o economista Pedro Crispim, da G5 Partners, a pesquisa indicou uma desaceleração incipiente no resultado agregado da indústria de transformação, em linha com o cenário esperado, devido à política monetária contracionista.

"A expectativa é de que o setor de transformação desacelere de forma cada vez mais acentuada à frente", previu Crispim.

Em abril ante março, 13 dos 25 ramos industriais pesquisados tiveram elevação na produção, com destaque para indústrias extrativas (1,0%) e bebidas (3,6%). Outras elevações relevantes ocorreram em veículos (1,0%) e impressão e reprodução de gravações (11,0%). Por outro lado, entre as 11 atividades com perdas, os principais recuos foram registrados por derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,5%) e produtos farmacêuticos (-8,5%).

Segundo André Macedo, o ambiente doméstico favorece o desempenho da indústria via mercado de trabalho aquecido, com taxas de desemprego mais baixas e massa de rendimento recorde, o que gera reflexos benignos para a economia.

Juro trava o crescimento

Por outro lado, em meio a uma política monetária restritiva, o "setor industrial tem claramente uma redução da intensidade do seu ritmo de crescimento".

"A taxa de juros está em patamares mais elevados, claro que isso traz um adiamento das decisões de consumo por parte das famílias, um adiamento das decisões de investimento por parte das empresas. Tem todo um ambiente de incertezas, não só no mercado doméstico, mas também no cenário internacional, isso traz algum impacto negativo no setor industrial", acrescentou Macedo.

Questionado sobre uma possível influência do tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump e a guerra comercial sobre a indústria brasileira, Macedo diz não ser possível mensurar pelos dados atuais da pesquisa, mas crê que "todo esse ambiente de incertezas no cenário internacional pode estar produzindo algum tipo de impacto".

Na comparação com abril de 2024, a produção industrial recuou 0,3% em abril de 2025, após dez meses consecutivos de crescimento.

"A queda ante abril de 2024 é muito influenciada por um efeito calendário. O mês de abril de 2024 teve dois dias úteis a mais que abril de 2025. E teve também efeito de uma base de comparação elevada", justificou André Macedo.

No acumulado do ano, que tem como base de comparação o mesmo período do ano anterior, a indústria teve uma alta de 1,4%. No acumulado em 12 meses, a produção subiu 2,4%. /Com Anna Scabello

Estadão
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