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Produção industrial cai 0,7% em setembro, aponta IBGE

No acumulado do ano, a indústria teve queda de 1,1% e, no acumulado em 12 meses, houve recuo de 2,3%; economistas veem sinais de esfriamento da atividade

1 nov 2022 - 12h14
(atualizado às 17h13)
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RIO - A produção industrial caiu 0,7% em setembro na comparação com agosto, a segunda queda consecutiva, informou nesta terça-feira, 1°, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, já esperado por analistas de mercado, confirma um cenário de esfriamento da atividade econômica, segundo economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, que citaram a disseminação do mau desempenho e sua concentração na fabricação de bens de consumo como destaques negativos.

Com o resultado de setembro, a produção industrial do terceiro trimestre registrou queda de 0,3% na comparação com o segundo trimestre. Foi a primeira queda nessa base de comparação após uma sequência de três trimestres de alta. No acumulado do ano até setembro, a indústria teve queda de 1,1% e, no acumulado em 12 meses, houve recuo de 2,3%.

O mau desempenho foi generalizado porque houve quedas, na passagem de agosto para setembro, em 21 dos 26 ramos industriais pesquisados pelo IBGE. Mesmo a alta de 0,4% na comparação com setembro de 2021 foi acompanhada por apenas 12 dos 26 ramos pesquisados.

Linha de montagem em São Paulo; produção industrial caiu 0,7% em setembro ante agosto.
Linha de montagem em São Paulo; produção industrial caiu 0,7% em setembro ante agosto.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Para o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, a perda de fôlego da atividade industrial está mais associada à fraqueza da demanda do que às restrições de oferta, associadas ao travamento das cadeias globais de produção, que atinge a economia mundial desde a segunda metade de 2020.

No ano passado, com a falta de insumos, a produção industrial tombou 4,1% na comparação com setembro de 2021. A alta de 0,4% em setembro deste ano sobre igual mês do ano passado foi puxada pela recuperação das atividades mais afetadas pela falta de insumos, como a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, que saltou 20,3% na comparação com um ano antes.

"Quando comparado com o passado recente, talvez as questões de demanda sejam mais importantes para entender a perda de intensidade", afirmou Macedo, destacando, entre as restrições à demanda, a elevação dos juros, diante do aperto na política monetária, empreendido pelo Banco Central (BC), a fraqueza do mercado de trabalho, que, mesmo com melhora recente, ainda é marcado pela informalidade, e o "ambiente de incerteza" na economia.

Bens de consumo

Para Felipe Novaes, economista da Tendências Consultoria Integrada, o fato de que a queda na atividade ter sido puxada pela fabricação de bens de consumo corrobora a análise de Macedo. A produção de bens de consumo encolheu 0,8% na comparação com agosto, enquanto a fabricação de bens de capital caiu 0,5%. Os destaques negativos foram a produção de alimentos, que recuou 2,9% ante agosto, a metalurgia, que tombou 7,6%, e a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com recuo de 2,6%. Também houve quedas na produção de bebidas (-4,6%) e de produtos de madeira (-8,8%).

"Isso alerta para o enfraquecimento da demanda", disse Novaes. "Temos a inflação pesando contra, alguns estímulos do governo, como a liberação de FGTS, fazendo menos efeito. Todos os estímulos governamentais direcionados ao consumo vêm perdendo tração no fim deste terceiro trimestre e, no quarto trimestre, a perspectiva de desaceleração da demanda deve ficar mais evidente", completou o economista.

O economista-chefe do Banco Alfa, Luís Otávio de Souza Leal, chamou a atenção para um "descolamento" do desempenho da indústria daquele registrado nos demais setores. Isso reforçaria a percepção de que o crescimento econômico em torno de 3%, esperado por alguns especialistas para 2022 como um todo, será mesmo puxado por medidas do governo e pela reabertura das atividades econômicas, após a pandemia de covid-19 ficar para trás.

"A produção industrial está meio descolada do cenário de PIB tão bom como estamos vendo, o que remete que ele tem sido sustentado pela combinação de reabertura, crescimento do mercado de trabalho e sustentação da renda dando fôlego para serviços", afirmou Leal.

O economista ressaltou ainda uma particularidade relacionada aos desequilíbrios provocados pela pandemia sobre a economia. No começo do processo de retomada, a partir do segundo semestre de 2020, boa parte do consumo das famílias foi canalizado para bens industriais, em detrimento dos serviços. Afinal, as restrições ao contato social permaneceram e atingiram mais serviços como bares, restaurantes, hotéis, cinemas, entre outras atividades. Agora, com a normalização do funcionamento dos negócios, as famílias estão fazendo o contrário, privilegiando os gastos com esses serviços, cuja demanda foi reprimida, em detrimento do consumo de bens. Para piorar, as restrições de oferta ainda não foram totalmente resolvidas, disse Leal.

João Savignon, economista da gestora Kínitro Capital, acrescentou que o cenário econômico incerto faz com que as indústrias tirem o pé do acelerador na produção. "Temos uma perda da confiança do empresário industrial, a política monetária mais restritiva, um cenário externo mais complexo, isso tudo somando para um crescimento da indústria mais moderado", afirmou.

Estadão
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