Ibovespa fecha em queda com dúvidas sobre desfecho no Oriente Médio
O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta quinta-feira, com a aversão a risco global desencadeada por incertezas envolvendo um desfecho para o conflito no Oriente Médio voltando a derrubar o Ibovespa após três altas seguidas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,45%, a 182.732,67 pontos, chegando a 182.570,44 pontos na mínima e marcando 185.423,77 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$26,5 bilhões.
No exterior, o barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 5,66%, a US$108,01, enquanto o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, recuou 1,74%.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que o Irã precisa chegar a um acordo para encerrar a guerra ou enfrentará uma ofensiva contínua, mas uma fonte iraniana afirmou à Reuters que a proposta dos EUA é "unilateral e injusta".
Na pauta brasileira, IPCA-15 de março mostrou alta de 0,44%, após avanço de 0,84% em fevereiro, segundo o IBGE, acima das previsões compiladas pela Reuters, que apontavam acréscimo de 0,29%. Em 12 meses, o índice subiu 3,90%.
De acordo com economistas do Bradesco, a surpresa no IPCA-15 foi concentrada basicamente em passagens aéreas e, em menor magnitude, alimentos no domicílio, esperando um resultado para o mês ainda mais elevado.
Eles destacaram que, com a atual conjuntura, com aumentos dos custos de combustíveis e fertilizantes, será mais difícil uma devolução da alta desses grupos no curto prazo.
"A geopolítica segue como maior risco para nosso cenário de inflação neste ano."
Para estrategistas do Safra, embora o mercado ainda esteja hesitante quanto a como as tensões geopolíticas podem afetar a inflação, ainda há espaço para cortes de juros no Brasil.
"Assim, o ambiente volátil pode ser visto como uma oportunidade para buscar alternativas no mercado de ações", afirmaram em relatório a clientes, elevando a previsão para o Ibovespa no final do ano para 220 mil pontos.
DESTAQUES
- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 2,69%, em pregão negativo para os bancos do Ibovespa. Além do cenário externo, investidores também estão atentos a eventuais medidas para tratar os níveis elevados de endividamento da população, incluindo limites para os juros do crédito rotativo do cartão de crédito e do consignado privado. Ainda no noticiário, o Banco Central elevou a previsão para o crescimento do crédito no país para 9% este ano. BRADESCO PN recuou 2,39%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 3,35% e SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 1,69%.
- VALE ON recuou 0,8%, contaminada pela aversão a risco global. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian subiu 0,18%, para 817 iuanes (US$118,40) a tonelada.
- PETROBRAS PN subiu 1,09%, em dia de alta no setor, acompanhando o movimento do petróleo no exterior. A estatal anunciou uma nova descoberta de petróleo no campo de Marlim Sul, no pré-sal da Bacia de Campos. E o UBS BB elevou o preço-alvo das ações de R$40 para R$60 e reiterou recomendação de compra, com os analistas assumindo um cenário com reajuste de preços de combustíveis pela estatal no segundo trimestre. A Petrobras ampliou a oferta de gasolina e diesel aos seus clientes para entrega em abril.
- EQUATORIAL ON perdeu 5,24%, após mostrar queda de 20,7% no lucro líquido do quarto trimestre. O conselho de administração da empresa também aprovou submeter a assembleia de acionistas proposta de redução do dividendo obrigatório. O diretor-presidente da elétrica, Augusto Miranda, disse que a Equatorial tem "cabeça aberta" sobre reciclagem de ativos e vai avaliar eventuais oportunidades.
- COPASA ON cedeu 1,4%, após renovar contrato de concessão com Belo Horizonte, em um movimento considerado crucial para a privatização da empresa de saneamento de Minas Gerais. Na véspera, a ação disparou 7% na máxima do dia.
- VAMOS ON subiu 0,54%, tendo também no radar o balanço do quarto trimestre do ano passado, com lucro líquido de R$77,7 milhões, além de previsões para 2026, incluindo estimativa de Ebitda entre R$3,75 bilhões e R$4 bilhões.
- JBS, que é listada nos EUA, valorizou-se 5,65%, após mostrar lucro de US$415 milhões no quarto trimestre, enquanto a receita líquida atingiu um recorde de US$23,06 bilhões. A companhia ainda aprovou dividendo de US$1 por ação. De acordo com o CEO global da empresa, Gilberto Tomazoni, a JBS vê cenários distintos para os preços do milho e do farelo de soja em 2026, com as cotações do cereal aumentando por fatores como a redução de estoques e influência do preço do petróleo.
- SER EDUCACIONAL, que não está no Ibovespa, disparou 15,16%, após o grupo de educação reportar lucro líquido de R$74,558 milhões no quarto trimestre do ano passado, revertendo o prejuízo de R$30,208 milhões registrado um ano antes. O Ebitda ajustado somou R$150,448 milhões, alta de 22,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a margem nessa linha cresceu de 23,4% para 26,3%.
- T4F ON, que não está no Ibovespa, caiu 8,28%, após balanço do quarto trimestre com prejuízo de R$16,4 milhões, menor do que a perda de R$25 milhões um ano antes, mas queda de 40% no Ebitda e piora no resultado financeiro no período.
- AMERICANAS ON, que não está no Ibovespa, saltou 12,62%, após pedir encerramento da recuperação judicial. A companhia também reduziu o prejuízo no quarto trimestre e divulgou que BandUP! saiu vencedora na disputa pela Uni.Co.