Galípolo diz que maioria da população paga mais de 100% de juros e é preciso pensar em alternativas
Presidente defende discussão estrutural sobre distorções de taxas de modalidades de crédito
SÃO PAULO E BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, abordou nesta quinta-feira, 26, o nível de juros que as famílias do País pagam ao tomar crédito, durante a coletiva de apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre.
Segundo Galípolo, ao fazer um balanço entre os diferentes tipos de modalidade de crédito, a maior parte da população tem que pagar hoje uma taxa de juros acima de 100% ao ano. O presidente do BC disse que os juros do rotativo do cartão de crédito são punitivos.
Na avaliação de Galípolo, essas taxas altas e a própria heterogeneidade de juros pagos, a depender da modalidade de crédito, são uma questão de difícil resolução, mas que precisa ser endereçada.
"Assim como outras distorções que a gente tem, não são simples de endereçar, não tem uma receita simples. E acho que a gente precisa trabalhar cada vez mais em alternativas que vão fornecer e garantir à população que ela tenha uma escolha que ofereça mais vantagens", disse Galípolo, frisando que é preciso, também, reduzir a percepção de risco para quem concede crédito.
"E quem toma o crédito tem que ter mais facilidade para acesso a uma linha de crédito mais compatível com a necessidade do cidadão", acrescentou.
Nesta quinta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a dívida das famílias brasileiras é "um problema" que acaba ofuscando o avanço da economia do País. Ele afirmou que pediu ao seu ministro da Fazenda,Dario Durigan, uma solução para o problema.