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Por que cortar juros é uma tarefa difícil nos EUA e no Brasil

A maior economia do mundo, a americana, e a maior da América Latina, a brasileira, permanecem atreladas a condições monetárias muito restritivas

30 abr 2026 - 08h33
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Inflação e política de juros são afetadas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos pelos conflitos no Oriente Médio, segundo indicaram os bancos centrais brasileiro e americano, na quarta-feira, 29, em comunicados sobre suas políticas de crédito.

A insegurança quanto aos preços permanece mais elevada que a usual, indicou o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC), o Copom, mencionando os possíveis efeitos daqueles conflitos no mercado de petróleo e nos preços de outros produtos básicos.

Diante desse quadro, da "resiliência" do mercado de trabalho e da perspectiva de inflação ainda acima da meta de 3% ao ano, o Comitê decidiu, mantendo cautela no afrouxamento de sua política, reduzir os juros básicos de 14,75% para 14,50% , repetindo o corte de 0,25 ponto porcentual adotado em março.

Copom decidiu manter cautela no afrouxamento de sua política, ao reduzir os juros básicos de 14,75% para 14,50%
Copom decidiu manter cautela no afrouxamento de sua política, ao reduzir os juros básicos de 14,75% para 14,50%
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil / Estadão

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), o banco central, levando em conta o ritmo vigoroso da expansão econômica, as boas condições de emprego, a inflação "elevada" e a incerteza agravada pela guerra no Oriente Médio, manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75%, renunciando a uma nova redução do custo do dinheiro. O presidente do Fed, Jerome Powell, encerra sua experiência na chefia da instituição — continuando, porém, como membro da diretoria — sem ter conseguido entregar ao mercado uma política de juros mais suave.

A maior economia do mundo, a americana, e a maior da América Latina, a brasileira, permanecem, portanto, atreladas a condições monetárias muito restritivas. Uma delas, no entanto, tem um papel importante na sustentação e no agravamento da insegurança financeira internacional, enquanto a outra sofre suas consequências, embora obtendo algum ganho como supridora global de matérias-primas essenciais.

A insegurança econômica internacional pode explicar — e talvez justificar — apenas parcialmente os juros elevados e as dificuldades de crescimento do Brasil. O outro grande fator — a incerteza quanto às contas públicas e às condições financeiras no médio e no longo prazos — tem raízes na política econômica e na memória das más experiências acumuladas na história nacional. Não é difícil, quando se consideram esses dados, entender por que os juros têm sido tão altos no Brasil.

Estadão
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