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PIB do Brasil cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026, aponta IBGE

Atividade econômica mostrou fôlego neste início de ano, segundo dados das Contas Nacionais Trimestrais divulgados nesta sexta-feira, 29

29 mai 2026 - 09h45
(atualizado às 09h48)
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No primeiro trimestre, fôlego na economia teve ajuda do bom desempenho do setor de serviços, da indústria de petróleo e de uma boa safra agrícola
No primeiro trimestre, fôlego na economia teve ajuda do bom desempenho do setor de serviços, da indústria de petróleo e de uma boa safra agrícola
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

RIO - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro mostrou fôlego neste início de ano. A atividade econômica cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025. Os dados são das Contas Nacionais Trimestrais, divulgados nesta sexta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam um aumento de 0,6% a 1,7%, com mediana positiva de 1,1%.

Na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior, houve crescimento de 1,8% do PIB do primeiro trimestre de 2026. As projeções variavam de uma elevação de 1,1% a 3,0%, com mediana positiva de 1,8%.

No acumulado em quatro trimestres, o PIB cresceu 2,0%. Ainda segundo o instituto, o PIB do primeiro trimestre de 2026 totalizou R$ 3,3 trilhões, com resultado positivo nos três setores: agropecuária (2,0%), indústria (1,0%) e serviços (0,5%).

"Realmente tem esse número forte nesse primeiro trimestre, em comparação ao que estávamos vendo, e muito provavelmente deve ser o dado mais forte do ano também. Tudo está indicando isso. Não deve se repetir nessa magnitude ao longo do ano", ponderou Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

"A expectativa é de crescimento para o ano, de crescimento para os trimestres, mas muito mais próximo da estabilidade do que, por exemplo, esse crescimento mais forte."

No primeiro trimestre, houve contribuições positivas disseminadas pelo lado da oferta e pelo lado da demanda, o que também não deve se manter no restante de 2026, ao menos não no mesmo ritmo, diz a pesquisadora.

"A gente sabe que é um ano eleitoral, que por si só já tem muita incerteza; as pessoas costumam ficar mais cautelosas. Por mais que o Banco Central já esteja cortando juros, existe essa questão externa do aumento do preço do barril do petróleo, que pode gerar uma pressão inflacionária. O Boletim Focus (divulgado pelo BC) mostrou que a previsão para a inflação já está acima do teto da meta, passou um pouco do intervalo de confiança. Claro que o Banco Central vai levar em consideração e talvez ser um pouco mais cauteloso nos cortes daqui para frente. Por mais que a gente ainda tenha a perspectiva de que os juros vão cair ao longo do ano, pode ser que caiam muito pouco, não a ponto de fazer um superbenefício, digamos assim, na atividade para atrair investimentos", explicou Trece.

"Então já tem essa questão da incerteza por ser um ano eleitoral, as pessoas ficam mais cautelosas mesmo, os empresários, e ainda tem os juros em patamar elevado, que também é algo que, obviamente, encarece crédito, encarece investimento."

No primeiro trimestre, em relação ao trimestre imediatamente anterior, o fôlego na economia teve ajuda do bom desempenho do setor de serviços, da indústria de petróleo e de uma boa safra agrícola. Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias e o consumo do governo contribuíram positivamente para a expansão do PIB em meio ao mercado de trabalho aquecido e estímulos fiscais do governo.

A política monetária contracionista, com a taxa básica de juros, a Selic, em patamar elevado, tem sido eficiente em seu objetivo de desacelerar a economia, afirmou Claudia Moreno, economista do C6 Bank. Porém, a política fiscal expansionista atua no sentido contrário.

"A gente tem visto uma continuação do aumento do gasto do governo. Mais recentemente, a gente tem visto várias medidas. Uma delas foi a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000, aumentou a renda disponível da população e isso acaba gerando um estímulo para o consumo. O próprio programa do Desenrola também aumenta a renda disponível, pode aumentar o consumo. Tem diversos programas de concessão de crédito também, o programa do Novo Brasil, outros programas habitacionais que podem estimular a economia", lembrou Moreno.

O C6 Bank espera um avanço de 1,7% no PIB brasileiro no ano de 2026. A consultoria Quantivis Analytics projeta um crescimento de 1,8% na economia, basicamente impulsionado por estímulos fiscais.

"O mercado de trabalho continua bom, continua positivo, isso ajuda a manter a demanda. Não se esperava nenhuma queda da demanda, mas também não se esperava a alta que está havendo", disse José Ronaldo de Castro Souza Júnior, fundador e diretor-executivo da Quantivis Analytics.

O economista lembra que o governo tem atuado de forma recorrente no sentido de estimular a economia via demanda.

"Se, por um lado, aumenta o juro, do outro lado o governo dá estímulo, aumentando salário mínimo, reduzindo imposto, dando aval a financiamento, dando crédito extraordinário com custo baixo, e por aí vai", enumerou Souza Júnior.

Estadão
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