Petróleo dispara com persistentes preocupações sobre a oferta no Oriente Médio
Os preços do petróleo dispararam cerca de 4%, com o Brent a US$ 104 e o WTI a US$ 92, impulsionados pela escalada de ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz e temores de oferta no Oriente Médio. O cenário de alta foi intensificado pela queda inesperada nos estoques dos EUA e pela paralisação de mais de 25% da extração no Golfo do México devido à passagem de um furacão, superando as tentativas do G7 e da AIE de conter os valores através da liberação de reservas estratégicas.
Os preços do petróleo dispararam nesta quinta-feira devido às preocupações persistentes com o abastecimento proveniente do Oriente Médio, em meio a um aumento nos ataques à navegação no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, enquanto os EUA reduziram a produção devido a um furacão que ameaçava as instalações de produção offshore.
Os futuros do petróleo Brent subiam cerca de US$4 ou 4%, para US$104 por barril, por volta das 10h30 (horário de Brasília), oscilando perdo do maior nível em mais de uma semana.
O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA tinha alta semelhante, para cerca de US$92, perto de seu maior valor desde 2 de outubro. Ambos os contratos subiram mais de US$ 5 por barril no início do pregão.
"As tensões renovadas no Oriente Médio, com ataques a navios ocorrendo bem além do Estreito de Ormuz, reavivaram as preocupações sobre a sustentabilidade de volumes maiores de trânsito por esse ponto de estrangulamento", disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo.
Enquanto isso, a Síria estava considerando fornecer assistência militar à Arábia Saudita, seu principal aliado, diante do conflito crescente com os houthis no Iêmen, apoiados pelo Irã, segundo informaram uma autoridade norte-americana e um oficial militar sírio a par do assunto.
As opções em consideração incluem ajuda defensiva ou o envio de forças em caráter ofensivo para apoiar as tropas iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita, disseram as fontes.
INTERRUPÇÕES NO ABASTECIMENTO PERSISTEM
Os preços fecharam em baixa na quarta-feira, depois que a Agência Internacional de Energia concordou em acelerar a liberação de reservas de petróleo e priorizar o abastecimento de diesel, enquanto os governos buscam lidar com os preços recordes dos combustíveis e as interrupções no abastecimento causadas pelo conflito envolvendo o Irã.
"Mais detalhes sobre a proposta do G7 de liberar 100 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) decepcionaram o mercado, já que os barris parecem ser retirados da liberação de 400 milhões de barris anunciada anteriormente, que ainda não foi totalmente comercializada", acrescentou Staunovo.
Além disso, as ameaças ao transporte de petróleo no Golfo e no Estreito de Ormuz -- que, antes da guerra, transportavam cargas equivalentes a cerca de 20% do petróleo e combustível globais -- aumentaram em outubro, à medida que o conflito envolvendo o Irã entra em seu oitavo mês, impulsionando os preços.
Os ataques a petroleiros que navegavam pelo estreito na semana passada atingiram o nível mais alto desde o início da guerra, à medida que os produtores do Golfo aumentaram as exportações.
No continente americano, a Shell e a Chevron anunciaram na quarta-feira que estavam reduzindo as operações offshore no Golfo com a aproximação do furacão Isaias.
No total, os produtores de petróleo e gás do Golfo do México, nos EUA, haviam interrompido cerca de 25,08% da produção atual de petróleo e 16,37% da produção atual de gás natural até quarta-feira devido à tempestade, de acordo com a Administração de Minerais Marinhos.
Os dados de estoques dos EUA, que também são o maior consumidor mundial de petróleo, apoiaram os preços, já que os estoques de petróleo bruto caíram mais do que o esperado, enquanto os estoques de diesel apresentaram uma ligeira queda.
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