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Queda do dólar e alta da Bolsa: entenda euforia do mercado com Flávio Bolsonaro à frente de Lula para disputa do 2º turno

Bom-humor reflete expectativa de ajuste fiscal e desgaste da política econômica de Lula, avaliam especialistas

6 out 2026 - 17h23
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Um homem passa em frente a uma casa de câmbio, com adesivos de notas de dólar na porta e nas paredes
Um homem passa em frente a uma casa de câmbio, com adesivos de notas de dólar na porta e nas paredes
Foto: Reuters

A queda do dólar e a reação positiva do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais reflete a expectativa de mudanças na condução da economia em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) e a insatisfação de investidores com a política fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), avaliam especialistas ouvidos pelo Terra.

No domingo, 4, Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. O resultado surpreendeu parte dos investidores e desencadeou uma forte valorização dos ativos brasileiros na segunda-feira, 5, com queda do dólar para faixa de R$ 5 e alta expressiva da Bolsa brasileira.

O bom-humor do mercado se manteve nesta terça-feira, 6, com a moeda norte-americana fechando a R$ 4,97, e o Ibovespa, principal indicador de desempenho das ações negociadas na B3, tendo um leve recuo de 0,50% aos 205.875 pontos. Na véspera, o índice disparou 7,70%, na maior alta desde março de 2020, aos 206.904 pontos. Foi a primeira vez na história que o índice supera a marca dos 200 mil pontos.

Para André Duarte, professor e economista da PUC-RJ, a reação está relacionada à expectativa de que uma eventual gestão de Flávio promova mudanças na política fiscal, monetária e na administração das empresas públicas. “Há uma avaliação do mercado que a política econômica, seja ela fiscal e monetária e a própria gestão das empresas públicas devem ser melhores em um governo Bolsonaro”, afirma. 

Ricardo Humberto Rocha, coordenador dos programas de Finanças do Insper, pondera que os investidores esperam uma revisão dos gastos, maior eficiência na aplicação dos recursos públicos e mudanças tributárias que possam beneficiar determinados setores da economia. “O ajuste fiscal é o ponto central dessa expectativa”, avalia Rocha. 

Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) após o primeiro turno
Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) após o primeiro turno
Foto: Wilton Junior/Estadão e Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, ressalta que o resultado eleitoral foi decisivo para a reprecificação dos ativos porque aumentou a probabilidade de um programa econômico que já era conhecido pelos investidores. “O mercado não reagiu a um programa novo, e sim à chance maior de esse programa chegar ao governo”.

O programa econômico de Flávio prevê medidas como a redução de ministérios, a revisão de despesas obrigatórias e discricionárias, uma nova regra fiscal com compromisso de superávit primário e limites ao crédito subsidiado com recursos do Tesouro Nacional. Essa proposta é diferente da de Lula, que tem apostado no aumento da arrecadação e na manutenção do arcabouço fiscal.

Na avaliação dos economistas, o mercando entende que a proposta de Flávio pode trazer uma melhora consistente das contas públicas e poderia contribuir para reduzir as expectativas de inflação e abrir espaço para cortes sustentáveis da taxa básica de juros. Juros menores, por sua vez, tendem a favorecer o crédito, a atividade econômica e o mercado de ações.

Expectativa ainda não é garantia de mudança

Um painel eletrônico exibe informações sobre as recentes oscilações dos índices de mercado na Bolsa de Valores B3, em São Paulo, Brasil
Um painel eletrônico exibe informações sobre as recentes oscilações dos índices de mercado na Bolsa de Valores B3, em São Paulo, Brasil
Foto: Reuters

Apesar do otimismo, os especialistas ressaltam que a reação dos investidores ainda se apoia, em grande medida, na expectativa de mudanças, e não em medidas detalhadas ou resultados concretos.

Duarte observa que Flávio e seus interlocutores têm demonstrado preocupação com a situação fiscal, mas ainda precisam esclarecer quais medidas seriam adotadas para controlar os gastos, reduzir o déficit e estabilizar a dívida pública.

Rocha faz uma ressalva semelhante. Para ele, existe uma diferença entre sinalizar a intenção de promover um ajuste e apresentar um plano capaz de executá-lo. “Há uma diferença entre sinalizar um ajuste e apresentar as medidas necessárias para realizá-lo”, afirma.

Luersen acrescenta que o programa de Flávio ainda não quantifica pontos importantes, como o tamanho do superávit pretendido, o prazo para estabilizar a dívida e a dimensão dos cortes necessários.

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Fonte: Portal Terra
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