Payroll surpreende e recoloca juros do Fed no centro do radar
Mercado de trabalho criou quase o triplo de vagas do consenso
O payroll ganha ainda mais peso após a sinalização de Christopher Waller na véspera. O diretor do Fed havia defendido que o banco central desse uma “chance à desinflação” e avaliado que haveria pouco custo em esperar mais uma reunião antes de alterar os juros.
Os mercados globais operam nesta sexta-feira (4) sob o impacto do payroll de agosto nos Estados Unidos, que trouxe um mercado de trabalho mais forte do que o esperado e pode alterar novamente as apostas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed). A economia americana criou 162 mil vagas no mês, quase o triplo do consenso de 56 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%.
O dado ganha ainda mais peso após a sinalização de Christopher Waller na véspera. O diretor do Fed havia defendido que o banco central desse uma “chance à desinflação” e avaliado que haveria pouco custo em esperar mais uma reunião antes de alterar os juros. Agora, a força do mercado de trabalho volta a colocar a trajetória da política monetária no foco dos investidores.
Além do emprego, os salários avançaram 0,3% na comparação mensal e 3,1% em 12 meses, em linha com as expectativas. O resultado reforça a atenção sobre a combinação entre atividade, inflação e juros na decisão do Fed de setembro.
Os mercados globais abriram a sessão desta sexta-feira com desempenho misto, à espera do payroll, Na Europa, as ações da Volkswagen também movimentaram o mercado, enquanto avançavam 5,88% após a montadora aprovar um amplo plano de reestruturação, que prevê o corte de 50 mil postos de trabalho e um acordo para evitar novos conflitos com sindicatos e o Estado da Baixa Saxônia.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana majoritariamente em alta, em um movimento influenciado pela redução das apostas de alta dos juros americanos após os comentários de Waller. Entre os destaques, no Japão, o iene ganhou força diante da expectativa de maior aperto monetário pelo Banco do Japão (BoJ).
No mercado de commodities, os contratos futuros do petróleo operam em queda, com o Brent próximo de US$ 95 por barril. Apesar da baixa na sessão, a commodity caminha para registrar a maior valorização semanal desde meados de julho, impulsionada pela retomada das ofensivas militares no Oriente Médio e pelas incertezas em torno do fornecimento global.
No Brasil, o destaque fica para a nova pesquisa Datafolha, divulgada após o fechamento dos mercados, que mostrou redução da diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Lula aparece com 46%, contra 44% de Flávio, ante 47% e 43%, respectivamente, no levantamento anterior.
No primeiro turno, Lula registra 38%, Flávio Bolsonaro, 33%, enquanto Augusto Cury (Avante) avançou de 2% para 8%, assumindo a terceira colocação.
A rejeição dos dois principais candidatos permanece elevada e próxima: 47% dos entrevistados afirmam que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro, enquanto 45% dizem o mesmo em relação à Lula.
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