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'Parte fiscal importa para inflação e juros, mas não é a causa dos juros altos', diz Durigan

Ministro da Fazenda diz ainda que há uma cultura de rentismo no Brasil que exige uma taxa de juros mais alta do que em outros países

15 jun 2026 - 10h19
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BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que há uma cultura de rentismo no Brasil que exige uma taxa de juros mais alta e argumentou que o fiscal não é o único culpado pelos juros altos no País. A declaração ocorreu em uma entrevista à Warren Investimentos gravada na última sexta-feira, 12, e divulgada nesta segunda-feira, 15.

"Eu acho que tem uma cultura do rentismo brasileiro que exige uma taxa de juros mais alta do que em outros países, mas, sem dúvida nenhuma, o fiscal faz parte desse debate. Ele não deve ser a resposta fácil, que se dá como placebo para tudo, mas o meu papel à frente da Fazenda é que a gente melhore o fiscal na maior medida que a gente puder", afirmou.

Segundo ele, a parte fiscal importa para inflação e juros, mas não é a causa dos juros altos. Ele citou como outros culpados para isso a falta de poupança e volatilidade do mercado de câmbio.

"Tem outros elementos que compõem essa colcha de retalhos. O fiscal é um deles; eu não estou fugindo da raia, mas outro elemento é a falta de poupança que nós temos no País, seja pública ou privada", completou.

Durigan disse que o Brasil precisa ir além da redistribuição de renda, atraindo investimento privado ao conter crescimento das despesas obrigatórias.

"O País já cumpre um papel redistributivo (de renda) muito grande; nós precisamos ir além da redistribuição. Porque hoje a gente faz bem a redistribuição, mas o salto geracional, o ganho de competitividade e produtividade ele tem de vir com investimento", afirmou.

Segundo ele, o Brasil precisa de um ganho de produtividade, atraindo investimento privado na economia real. Além disso, seria preciso conter o avanço das despesas obrigatórias para manter o espaço das discricionárias.

"Se a gente não abrir espaço para investimento, nós estamos fadados a fazer redistribuição e não dar o salto de produtividade. E por isso é importante conter o avanço de despesa obrigatória para, do lado do poder público, ter alguma despesa discricionária aberta no Orçamento", declarou.

Durigan disse ainda que, para atrair investimentos para o País, é preciso ter uma taxa de juros civilizada; com a atual Selic não seria possível fazer essa atração. Segundo ele, hoje, por exemplo, o mundo olha para o Brasil como um "porto seguro", como potencial para uma boa fonte de energia limpa global.

"A gente tem de moderar o crescimento das despesas obrigatórias, abrir espaço para investimento público e dar condições para que os juros caiam para que a gente atraia investimento privado e dê um salto de produtividade no País", completou.

Vamos discutir parâmetros do arcabouço para equilibrar justiça social e fiscal

Durigan disse também que o governo vai discutir parâmetros do arcabouço fiscal para equilibrar a justiça social e o fiscal. "Não tem como fugir de um debate que seja equilibrar um mínimo de legitimidade de justiça social, de atendimento que o País precisa com a demanda de cumprir a responsabilidade fiscal, ter as contas públicas em dia", afirmou.

Durigan diz que o Brasil precisa de um ganho de produtividade para atrair investimento privado na economia real
Durigan diz que o Brasil precisa de um ganho de produtividade para atrair investimento privado na economia real
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Segundo ele, o governo aprimorou o arcabouço para ter gatilhos mais rígidos e declarou que a oposição não vai ter como ter um novo "Posto Ipiranga" porque o cenário está dado. "A raia que nós vamos discutir é como fazer esse equilíbrio, se é com 2,5%, 1,5%, se é com 3%, mas é isso, o debate está dado. A gente tem de equilibrar as coisas, de novo, melhorando a nossa trajetória fiscal", completou.

O ministro da Fazenda afirmou que o Orçamento que será anunciado pelo governo para 2027 não terá armadilhas para os próximos anos. "O maior sinal de que nós vamos deixar a economia melhor ou, pelo menos, a parte do Orçamento Público, a parte fiscal, melhor, é que o Orçamento que nós vamos apresentar em 31 de agosto, com base na LDO para 2027, não tem armadilha escondida", afirmou.

Sobre a reforma tributária, ele afirmou que o custo de benefício fiscal para setores vai ficar claro em alíquota do IVA, mas que pautas-bomba como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Templos elevariam o IVA em 1 p.p. caso sejam aprovadas em definitivo.

Estadão
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