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Plano de 10 anos do governo é continuar com privatizações, incluindo da Petrobras, diz Guedes

Em palestra nesta segunda, ministro da Economia afirmou que críticos do governo têm 'treinamento com deficiências' na Teoria do Equilíbrio Geral; plano do governo, segundo ele, sempre foi reduzir os gastos

27 set 2021 14h27
| atualizado às 18h52
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SÃO PAULO E BRASÍLIA - O ministro da Economia, Paulo Guedes, mostrou nesta segunda-feira, 27, sua insatisfação com as críticas que o governo Bolsonaro vem recebendo por meio de uma suposta falta de plano econômico de sua equipe.

"Tenho vontade, às vezes, de devolver tudo, mas tenho tentado melhorar como pessoa", disse o ministro, acrescentando ter consciência de que alguém na sua posição precisa tomar muito cuidado com as palavras que solta.

Guedes participou do 4º Encontro "O Brasil Quer Mais", promovido pela Câmara de Comércio Internacional (ICC, na sigla em inglês), no painel "Por que ainda não abrimos".

O ministro disse que o primeiro grande plano econômico do atual governo era o de controle das despesas públicas. De acordo com Guedes,o plano de dez anos do governo é continuar com as privatizações e que Petrobras e Banco do Brasil, todos estão na fila.

O ministro frisou por várias vezes que quem critica a falta de um plano do seu ministério é porque tem um treinamento com deficiências na Teoria do Equilíbrio Geral, que explica o comportamento da oferta, da demanda e dos preços em uma economia.

"Quem tem treinamento com deficiências diz que o governo não tem um plano, mas nosso primeiro plano é interromper essa trajetória explosiva de gastos", afirmou Guedes.

Segundo o ministro, o governo tinha como ideia derrubar os juros. E para isso, disse ele, era preciso privatizar, desinvestir, como a Petrobras fez para pagar os gastos. "A Petrobras fez isso e melhorou o seu balanço. Por isso a Petrobras melhorou os seus investimentos", justificou o ministro.

Guedes voltou a dizer que o governo atual vai terminar o mandato gastando menos do que quando começou e lembrou que havia muitos ministérios na área econômica que gastavam R$ 15 bilhões e que agora tem só o Ministério da Economia gastando R$ 10 bilhões.

Por isso, diz ele, trazer investimentos estrangeiros nos próximos 10 anos é parte do plano econômico do atual governo. "É fazer o movimento de fora para dentro. Não existe mais a figura do planejador central, coisa que não tem nem mais nem na China", disse.

"Quando vocês virem um economista criticando o governo é porque ele não tem um bom treinamento e não está conseguindo entender o programa", provocou Guedes.

A reforma administrativa, segundo o ministro, não é a mais potente, mas é o que foi "politicamente possível", disse reafirmando que entregou a reforma a reforma administrativa em 2019 e que só agora ela será analisada.

Abertura comercial

Sobre o tema do evento, "Por que ainda não abrimos?", o ministro Guedes disse que a abertura comercial do Brasil será gradual, mas de forma irreversível.

"Mas vamos abrir. A ideia inicial era baixar a tarifa de importação do Mercosul em 10% neste ano e mais 10% no ano que vem. Mas desviamos o foco de acordos comerciais para a Ásia e estamos conversando com Indonésia, Coreia do Sul e Índia", disse.

Guedes voltou a responsabilizar a Argentina pelo não avanço da proposta para reduzir a alíquota do Imposto de Importação dentro do Mercosul. Disse entender o mau momento econômico por que passa a Argentina, mas que não acha justo o país vizinho barrar o que ele chama de modernização do bloco comercial.

Guedes disse ainda, mais para o final da sua participação no evento, que a covid-19 tirou do governo um ano e meio de reformas estruturantes que poderiam estar gerando bons frutos para a economia brasileira.

Estadão
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