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Lula defende comércio em moeda local com Índia

20 fev 2026 - 11h29
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O presidente Luiz Inácio ‌Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que um acordo comercial entre Índia e Brasil seja feito em moeda local, e não necessariamente em dólar, uma posição que tem defendido também em outras instâncias.

Em entrevista à emissora India Today, em Nova Délhi, ⁠Lula afirmou que não é necessário que o comércio entre os ‌dois países seja em dólar, mas que isso não é algo para ser feito imediatamente, mas também não é ‌uma "fantasia".

"Eu advogo que não é necessário que ‌um acordo comercial entre Brasil e Índia tenha que ⁠ser feito em dólares", disse Lula à emissora indiana, segundo uma transcrição em inglês da entrevista.

"O que eu defendo é que podemos fazer em nossas próprias moedas. É difícil, sim, é difícil, mas podemos tentar."

As propostas de que países deixem de ‌usar o dólar nas suas transações costumam incomodar o presidente dos ‌Estados Unidos, Donald ⁠Trump, que já ⁠chegou a ameaçar os países do Brics de tarifas de 100% se ⁠uma proposta de moeda ‌única do bloco fosse levada ‌adiante.

O presidente brasileiro reforçou que não existe debate dentro do Brics, do qual Índia e Brasil fazem parte, para criar uma moeda única.

"Ninguém propôs criar uma moeda do ⁠Brics. Não é esta a proposta", disse Lula.

De fato, há conversas sobre facilitação de comércio, como câmaras de compensação de pagamentos e transações em moedas locais.

O Brasil já tem operações em moeda local com a ‌China, por exemplo, desde 2023, e trabalha para ampliar movimentos desse tipo com outros países, incluindo a Índia, dentro do ⁠Acordo de Comércio Preferencial (ACP) que existe entre Mercosul e Índia - e que o Brasil quer ampliar.

Assinado em 2004, o acordo está em vigor desde 2009, mas é considerado limitado. O ACP prevê apenas em torno de 450 linhas tarifárias com taxas mais baixas para cada um dos países.

Atualmente, o comércio bilateral entre Brasil e Índia é de US$15 bilhões, mas o Brasil tem como meta pelo menos dobrar esse valor, segundo Lula.

"Precisamos chegar a entre US$30 bilhões e US$40 bilhões de comércio por causa do tamanho dos nossos países e das nossas economias", disse Lula.

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