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Para analistas, momento divide trajetórias do conceito ESG nos Estados Unidos e no Brasil

Enquanto prática sofre reveses no mercado americano, órgãos reguladores e empresas brasileiras ampliam esforços para integrar sustentabilidade às estratégias de negócio

23 ago 2025 - 14h00
(atualizado em 23/8/2025 às 17h10)
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Da dir. para esq.: Luciana Dyniewicz, mediadora, Carolina Bueno, Fernanda Claudino, Jéssica Bastos e Maria Emília Peres
Da dir. para esq.: Luciana Dyniewicz, mediadora, Carolina Bueno, Fernanda Claudino, Jéssica Bastos e Maria Emília Peres
Foto: Helcio Nagamine/Estadão / Estadão

ESPECIAL PARA O ESTADÃO - O debate em torno da governança climática nas empresas vem sofrendo reveses importantes nos Estados Unidos. Muito antes do governo Trump, a discussão já havia sido abalada pela decisão da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, de deixar de usar o termo ESG em resposta à pressão de grandes clientes ligados a estados dependentes do petróleo. A medida abriu espaço para uma onda de questionamentos que hoje encontram respaldo no posicionamento da SEC - órgão regulador do mercado de capitais -, que sinaliza resistência às regras de divulgação climática propostas anteriormente.

"A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, assim como o retrocesso em questões de diversidade e inclusão de algumas empresas assustou o mercado. A pauta ESG além das suas siglas tem um cunho político também", afirma a professora na FGV, na Fundação Dom Cabral e pesquisadora na Universidade de São Paulo (USP), Fernanda Claudino, durante o Summit ESG, evento promovido pelo Estadão nesta quinta-feira, 21, em São Paulo.

No Brasil, porém, órgãos reguladores seguem avançando na definição de normas e empresas já se mobilizam para cumprir a obrigatoriedade de relatórios de sustentabilidade, consolidando um movimento que deve moldar a agenda corporativa nos próximos anos.

"Mesmo com ondas contra o ESG, temos alguns avanços no Brasil. Como exemplo, há as regras S1 e S2, que são endossadas pela CVM e trazem um diferencial para que empresas listadas (na B3) tragam relatórios com viés financeiro. As regras surgem de uma movimentação global, de demanda de investidor para entender melhor os riscos das questões de sustentabilidade", salienta Fernanda.

De acordo com a diretora de Organização de Mercado e Regulação de Conduta da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Jéssica Bastos, comparado com outros mercados financeiros, o de seguros voltou suas atenções para a pauta ESG um pouco depois. Mas desde 2022, o tema tem ganhado cada vez mais fôlego, com a Susep trazendo a primeira regra que trata do tema de gerenciamento dos riscos de Sustentabilidade. Além da obrigação de divulgar relatórios a esses riscos climáticos anualmente.

Já em 2024, a Susep cria um grupo de trabalho para discutir com as seguradoras, com os clientes das seguradoras e governo demanda concretas do setor de seguro. "O objetivo era observar os riscos que poderiam não estar sendo atendidos, além de analisar se era necessário a criação de novos produtos com determinadas particularidades."

Do grupo, Jéssica destaca uma proposta para rotulagem de produtos sustentáveis. "Queríamos atacar o greenwashing (divulgação exagerada de boas práticas ambientais) e garantir entregas efetivas e não apenas o discurso ESG. Outro destaque do grupo é uma regra que está em fase final de critérios sustentáveis para seguro rural."

Ao analisar o setor privado no Brasil, a sócia de Estratégia com foco em transição energética e sustentabilidade da Deloitte, Maria Emília Peres, observa que mesmo com uma cautela maior em um cenário de risco como o atual há boas perspectivas. "Setenta e dois por cento das empresas brasileiras têm suas estratégias de ESG ligadas à estratégia do negócio, o que é um número fantástico se comparar a 2023, quando esse número era de 26%."

Outro ponto que corrobora boas expectativas para o cenário nacional é, segundo Maria Emília, é que é visível que nem o setor privado e nem o público demonstram vontade de retroceder em relação a essa pauta. "Já estamos atrasados em alguns assuntos, se retrocedermos vamos perder mais ainda."

Entre os exemplos positivos do que as empresas têm apresentado na pauta ESG, Maria Emilia citou a Natura, que neutralizou 100% das emissões de toda a sua cadeia; a Petrobrás que investiu nos últimos US$ 16 bilhões em transição e a Vale que investiu R$ 7 milhões.

Para a diretora de Riscos e Compliance, head do squad de Governança transparente e responsável do Grupo Globo, Carolina Bueno, esse é o momento de as empresas serem mais pragmáticas em suas escolhas. "É preciso evitar armadilhas e rever nossas prioridades, avaliar se investimos os recursos nos lugares certos. Fazer escolhas mais inteligente com resultados mais objetivos, como trazer diversidade para empresas", conclui.

Estadão
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