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País pode aprender com Argentina e diversificar apostas em petróleo e gás; leia artigo

Desenvolver a província de Neuquén a partir da produção em reservatórios não convencionais foi mais um 'golaço' dos argentinos

8 mar 2023 - 04h10
(atualizado às 05h37)
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Desde a primeira Copa do Mundo, em 1930, o Brasil conquistou cinco vezes o campeonato. Na mesma década começamos a produzir petróleo e desde então perfuramos mais de 30 mil poços, transformando o setor em orgulho nacional. A história argentina foi menos notável: até 2022, só havia ganhado dois mundiais e ainda não está entre os dez maiores produtores de petróleo e gás.

Aqui, a última vitória na Copa e o frisson das grandes descobertas do pré-sal ficaram nos anos 2000. A Argentina, por sua vez, vem jogando na última década o bom futebol que a levou à vitória no Catar. No petróleo e gás, desenvolver a província de Neuquén a partir da produção em reservatórios não convencionais foi mais um golaço.

Esses reservatórios são jazidas de petróleo e gás com baixa permeabilidade que requerem técnica especial para extrair combustíveis: o "fraturamento hidráulico". No Brasil, apesar de a atividade ser regulamentada pela Agência Nacional do Petróleo desde 2014, até hoje não foi licenciada.

No meio do deserto, Neuquén não tinha grandes perspectivas até a jogada que a levou ao seu maior PIB em 2019 e ao recorde de empregos em 2022. Não por menos: lá, um poço "não convencional" requer investimento de US$ 10 milhões e, desde 2016, foram perfurados mais de 1,2 mil. Além do impacto direto, a subcontratação de pequenos fornecedores, bem como comércio e serviços, inclui até mesmo trabalhadores de fora da indústria.

Há também efeitos sobre a independência energética. Assim como o Brasil exporta jogadores, importa gás não convencional de países como os Estados Unidos. A Argentina, por sua vez, começa a exportar o gás produzido em Neuquén.

O governo federal, em sua primeira visita diplomática ao vizinho, colocou em campo o financiamento, pelo BNDES, de um gasoduto para escoar gás não convencional argentino. O mesmo gás que até hoje nem sequer produzimos. Mais um gol dos hermanos.

No Brasil, o Projeto Poço Transparente, iniciativa de acesso à informação sobre o fraturamento hidráulico, foi lançado pelo Ministério de Minas e Energia em dezembro. Caberá ao novo ministro renovar o apoio à empreitada e costurar o mais importante para a realização da atividade: licenças ambientais para os projetos-piloto.

Em campo ou na indústria, o Brasil pode aprender com a Argentina. É preciso usar novas técnicas e diversificar apostas para o prêmio maior: nosso desenvolvimento socioeconômico. / SECRETÁRIO EXECUTIVO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PRODUTORES INDEPENDENTES DE PETRÓLEO E GÁS (ABPIP)

Estadão
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