Os petroleiros que Trump apreendeu estão custando milhões de dólares aos Estados Unidos
Governo não pode vender legalmente o petróleo sem autorização judicial. Somente um dos navios já custou US$ 47 milhões em três meses, frustrando a promessa de ganho financeiro rápido
WASHINGTON — Em um esforço para reprimir países que considera promotores do terrorismo, o governo Trump vem conduzindo uma campanha de apreensão de navios petroleiros, uma medida que o presidente tem repetidamente caracterizado como um benefício financeiro para os americanos. Mas há um problema. As apreensões colocaram o governo dos Estados Unidos em uma situação financeira difícil. Os navios são extremamente caros de manter. E o governo Trump não pode vender legalmente o petróleo sem a autorização de um juiz.
Manter os petroleiros apreendidos já custou aos Estados Unidos dezenas de milhões de dólares — em um caso, US$ 47 milhões em apenas três meses — e complica as afirmações do presidente Donald Trump de vitórias financeiras rápidas provenientes de suas operações militares contra a Venezuela e o Irã. A situação está sendo exposta no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Washington, onde autoridades do governo Trump detalham o peso financeiro de manter um petroleiro apreendido.
Considere o caso do Motor Tanker Skipper No. 9304667. Os Estados Unidos apreenderam o petroleiro e seus mais de 1,8 milhão de barris de petróleo venezuelano em 10 de dezembro, quando ele seguia da Venezuela para a Ásia. Desde então, os custos para manter o navio e sua carga de petróleo têm aumentado.
O governo já gastou US$ 47 milhões reparando e mantendo o navio envelhecido, que está avaliado em apenas US$ 10 milhões, disseram promotores federais em um documento judicial. E provavelmente precisará gastar mais US$ 5 milhões nos próximos meses para cobrir seguros e tripulação, entre outros custos. Além disso, armazenar o petróleo do navio custa ao governo US$ 15 mil por dia — cerca de US$ 450 mil por mês.
"Sei que aeronaves, embarcações e cargas apresentam desafios únicos na gestão de ativos", escreveu Gene Patton, um alto funcionário do Departamento de Justiça, em um documento apresentado ao tribunal. "Esses ativos têm custos de manutenção e armazenamento que superam em muito os ativos comuns. Os ativos maiores nessas categorias são particularmente difíceis de manter, já que tripulações podem precisar ser mantidas em serviço contínuo e apenas um número limitado de locais pode armazenar esses itens."
A carga de petróleo apreendida do navio tem valor entre US$ 120 milhões e US$ 135 milhões, escreveu Patton. Na quinta-feira, 12, promotores federais pediram a um juiz autorização para que o Departamento de Justiça venda o petroleiro e o petróleo, mesmo antes de uma decisão final sobre se os Estados Unidos podem mantê-los. Os recursos seriam então depositados em uma conta bancária até que o juiz tome uma decisão.
Casa Branca pretende ampliar o plano de apreensão de petroleiros
Em operações anteriores contra petróleo sob sanções, as autoridades americanas evitavam intencionalmente apreender os próprios petroleiros por causa dos custos envolvidos — às vezes até retirando o petróleo mais valioso em alto-mar e permitindo que os navios seguissem viagem.
Mas o governo Trump afirma que nem sempre é o melhor plano, do ponto de vista legal ou operacional, apreender apenas o petróleo, e optou por apreender também os petroleiros. Na recente ofensiva, os Estados Unidos apreenderam 10 navios com vínculos com a Venezuela, embora não esteja claro quantos pretendem manter.
Dois dos navios apreendidos pelos Estados Unidos não transportavam petróleo no momento da apreensão — o que significa que o governo provavelmente arcará com grande parte dos altos custos de manutenção, reparo e tripulação. Um desses navios é o Bella 1, que levou as forças americanas a uma longa e cara perseguição pelo Atlântico no início deste ano.
A Casa Branca também está elaborando um plano para ampliar a apreensão de petroleiros, incluindo aqueles que transportam petróleo iraniano, como parte de sua estratégia para desestabilizar o governo do Irã, segundo duas pessoas com conhecimento dos preparativos.
Embora o Skipper transportasse petróleo venezuelano, os Estados Unidos afirmaram ter base legal para apreender o navio por causa de seu envolvimento anterior no transporte de petróleo iraniano, que promotores alegam ser vendido para financiar o terrorismo.
Nos últimos dois anos, o Skipper carregou mais de 7 milhões de barris de petróleo bruto iraniano — avaliados em centenas de milhões de dólares — a partir da Ilha de Kharg, no Irã, segundo documentos apresentados ao tribunal.
Promotores afirmaram que o navio fazia parte de uma frota global de "petroleiros fantasma", que transportam petróleo de países sob sanções dos Estados Unidos, incluindo Irã, Venezuela e Rússia. O Skipper navegava sob bandeira da Guiana quando foi abordado, mas promotores disseram que se tratava de uma bandeira falsa e que o navio é apátrida, o que permitiu aos Estados Unidos apreendê-lo.
A Windward Shipmanagement Corp., proprietária do Skipper, é uma empresa registrada nas Seychelles. Ela compartilha um endereço nas Seychelles com pelo menos uma dúzia de outras empresas que foram sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos sob os programas de sanções contra Irã, Rússia e terrorismo global, segundo promotores.
Caso um juiz autorize a venda do petróleo do navio, parte dos recursos seria destinada a vítimas internacionais de terrorismo prejudicadas por terrorismo patrocinado por Estados, disseram os promotores. Apesar dos custos, autoridades da Casa Branca afirmam que as apreensões valem a pena porque responsabilizam empresas e países que tentam contornar as sanções dos Estados Unidos.
Um alto funcionário da Casa Branca disse que o governo acredita que as apreensões desestimularam agentes mal-intencionados de fazer negócios com o governo de Nicolás Maduro, antes da intervenção americana para removê-lo do poder, e que a operação continua com o objetivo de prejudicar as finanças do Irã.
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