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Operadores apostam em duas altas de juros até o final do ano antes de reunião do BCE

9 set 2026 - 08h26
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Resumo
Antes da reunião do Banco Central Europeu, os rendimentos dos títulos da zona do euro atingiram máximas históricas devido à expectativa de aperto monetário e ao prolongamento da guerra no Irã. Pressionado pela disparada do petróleo acima de US$ 100 e pela alta do gás, o mercado precifica mais duas altas de juros, levando os papéis alemães de dez anos a 3,40%. Embora operadores prevejam juros em 3,1% até 2027, analistas alertam que o impacto na energia pode antecipar o fim do ciclo de alta.

As taxas de rendimento dos títulos públicos ‌da zona do euro atingiram novas máximas de vários anos nesta quarta-feira antes da reunião do Banco Central Europeu, enquanto operadores precificavam dois aumentos nas taxas de juros em 2026 e uma taxa de 3,1% até o final de 2027.

A expectativa é de que o BCE aperte a política ⁠monetária e reitere sua postura dependente dos dados conforme a guerra no ‌Irã se prolonga.

Os investidores acompanhavam de perto o petróleo Brent, que superou US$100, bem como os preços do gás natural, que atingiram uma ‌nova máxima de três anos e meio, ‌e o chamado "crack spread" - a margem entre os produtos refinados e ⁠o petróleo bruto.

Os custos de refino subiram acentuadamente desde o final de junho, alimentando a inflação.

Vários navios mercantes no norte do Golfo Pérsico e no Golfo de Omã foram atingidos por disparos que os deixaram fora de operação durante atividades militares na região ao longo da noite.

O ‌rendimento dos títulos de 10 anos da Alemanha alcançou a máxima desde abril ‌de 2011, a 3,40%, ⁠alta de 4 ⁠pontos-base.

"A combinação de preços elevados do petróleo, preocupações com a inflação dos alimentos relacionada ⁠à seca e a persistente ‌incerteza em torno dos riscos ‌de oferta de gás continua sustentando o prêmio de risco do mercado", disse Evelyne Gomez Liechti, estrategista de multiativos do Mizuho.

Os rendimentos dos títulos alemães de dois anos, mais sensíveis às taxas de ⁠juros de referência, subiam 5 pontos-base, para 3,0323%, máxima desde janeiro de 2024.

Os operadores estavam precificando a taxa de depósito do Banco Central Europeu em 2,74% até dezembro, o que implica uma probabilidade de mais de 95% de um novo aumento ‌após a alta esperada na quinta-feira. Eles também indicam uma taxa de depósito de 3,10% em setembro de 2027.

Uma pesquisa da Reuters com ⁠65 economistas, realizada em 3 de setembro, sugeriu que o BCE aumentará as taxas de juros na quinta-feira pela segunda vez e, em seguida, encerrará o que seria sua campanha de aumentos mais curta em 15 anos.

"O BCE começou a apertar a política monetária relativamente cedo, e a combinação de rendimentos mais altos dos títulos e custos elevados de energia deve pesar sobre o crescimento europeu no curto prazo, dando às autoridades espaço para manter os juros", disse David Zahn, chefe de renda fixa europeia da Franklin Templeton.

"A próxima mudança nas taxas de juros do BCE após a reunião de quinta-feira poderá ser um corte no fim de 2027", acrescentou.

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