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OCDE diz que guerra prolongada pode prejudicar crescimento global e aumentar inflação

3 jun 2026 - 07h41
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As perspectivas econômicas globais dependem da duração da guerra ‌no Oriente Médio, com recessão em alguns países e inflação acentuadamente mais alta sendo uma possibilidade real se ela se arrastar até o próximo ano, alertou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico nesta quarta-feira.

Se o conflito for de curta duração, a produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico poderá retornar gradualmente aos níveis pré-crise a partir do terceiro trimestre, com a escassez confinada à Ásia e amortecida por reservas estratégicas e ⁠remessas de outros produtores.

Nesse cenário base, o crescimento global deve desacelerar de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026, ‌antes de aumentar para 3,1% em 2027, em linha com as previsões de março da OCDE.

"Quanto mais tempo durar a interrupção, maior será o custo econômico, mas também o custo social dessa crise, e isso ‌certamente tornará as mudanças nas políticas muito mais difíceis", disse o ‌economista-chefe da OCDE, Stefano Scarpetta, em uma coletiva de imprensa.

Se a interrupção do fornecimento de energia persistir ⁠até o próximo ano, o crescimento global poderá desacelerar para 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027 - taxas raramente vistas fora de grandes crises, como a crise financeira de 2008 a 2009 ou a pandemia da Covid.

Algumas economias podem entrar em recessão total, sendo que os países asiáticos que dependem do fornecimento de energia do Oriente Médio devem ser os mais afetados.

No cenário de interrupção prolongada, os preços mais altos da energia podem ‌acrescentar 0,4 ponto percentual à inflação global em 2026 e 1,3 ponto percentual em 2027, provavelmente levando os bancos ‌centrais a aumentar as taxas de ⁠juros em 0,5 a 0,75 ⁠ponto percentual no curto prazo.

No cenário base, a OCDE previu que a inflação nas economias do G20 atingirá um pico ⁠de 4% este ano, antes de desacelerar para 3,1% no ano ‌que vem, com as taxas de ‌juros em grande parte inalteradas este ano e cortes previstos para o ano que vem.

"Cerca de um terço das economias da OCDE deverá registrar crescimento negativo dos salários reais este ano. Os trabalhadores desses países verão seus padrões de vida caírem, o que é a realidade humana por trás dos ⁠números da inflação", disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann.

O crescimento do comércio global deve moderar após um 2025 forte, embora a demanda robusta por bens e investimentos relacionados à IA, especialmente na Ásia, deva fornecer algum suporte.

PERSPECTIVAS DESIGUAIS

No cenário base, as exportações de energia mais fortes devem apoiar o crescimento dos EUA, compensando parcialmente o peso dos preços mais altos sobre o poder ‌de compra das famílias. A projeção é de que o crescimento diminua de 2,1% em 2025 para 2,0% em 2026 e 1,8% em 2027.

Na Europa, o crescimento da zona do euro deve desacelerar de 1,4% para ⁠0,8% este ano, antes de aumentar para 1,2% no próximo, uma vez que os mercados de trabalho resilientes e os maiores gastos com defesa ajudam a compensar o aperto de cinto do governo.

Na Ásia, a China deve desacelerar de um crescimento de 5,0% em 2025 para 4,5% em 2026 e 4,3% em 2027, com amplas reservas de energia limitando a exposição a picos nos preços do petróleo. As exportações devem se beneficiar das tarifas mais baixas dos EUA e de um setor tecnológico competitivo, embora a queda no mercado imobiliário continue sendo um empecilho.

Para o Brasil, a OCDE estimou crescimento de 1,6% este ano e de 2,1% em 2027, sendo as exportações o principal motor em 2026, sustentadas por um forte setor de commodities e pela demanda robusta da China.

Para a inflação, a projeção é de que ela desacelerar gradualmente, apesar da evolução do conflito no Oriente Médio, atingindo 4,4% em 2026 e 3,6% em 2027. Novos aumentos nos preços de energia e fertilizantes podem prejudicar o crescimento e pressionar a inflação, disse a OCDE.

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