Occupy Wall Street completa 1 ano esvaziado e sem vitórias
Há exatamente um ano - no dia 17 de setembro de 2011 - as primeiras barracas chegavam no parque Zuccotti, em Nova York, iniciando o movimento mundial conhecido como Occupy Wall Street. Hoje, o local está irreconhecível. Não há barracas, cartazes ou manifestantes. E o silêncio dos tambores simboliza o estado do próprio movimento, que apesar de ter colocado em pauta algumas questões econômicas, não mobiliza mais os manifestantes pelas ruas da cidade.
Para alguns críticos, o problema foi a falta de liderança no grupo, para outros, a ausência de um foco nas reivindicações. Mas para o cientista politico William Connolly,entusiasta sobre o assunto, o grupo foi simplesmente audacioso demais ao querer mudar o sistema econômico, e acabou desestimulado. "Eles tinham uma enorme parede para escalar e por isso não podemos subestimar as dificuldades que enfrentaram. Eu inclusive me pergunto se eles realmente pensaram que poderiam ter sucesso em tudo que queriam", diz.
A verdade é que as demandas articuladas nas audiências públicas lotadas de manifestantes nunca chegaram aos círculos oficiais. "O movimento queria discutir temas que estão fora da rede de discussões da política eleitoral, como o aquecimento global, questões ecológicas, distribuição de renda e a riqueza na América", diz. Assuntos que são evitados porque existe medo da interferência do governo nas regras do mercado, o que poderia alterar o modo de vida americano.
Mas pelo menos um dos jargões do Occupy Wall Street tem saido da boca do presidente Barack Obama durante a sua campanha para a reeleição: o 1%, uma referência à parcela mais rica da população dos Estados Unidos. "O Occupy ajudou o presidente a ficar mais forte na luta contra o corte de impostos propostos pelo George W. Bush para os ricos, e eu acho que ele sempre quis fazer isso, mas havia fomas de pressão legislativas que o impediam de ser tão combativo", afirma.
Mesmo assim, o aumento proposto por Barack Obama nos impostos dos milionários não chega nem perto do audacioso plano para arrecadação de impostos sugerido pelo Occupy Wall Street. A sua proposta é um sistema onde as mesmas taxas que saem do salário de um trabalhador comum seriam aplicadas nos lucros das empresas, além de novos impostos para transações comerciais. Para Connelly, uma ideia que poderia ajudar a economia, mas que dificilmente seria implantada no país.
Para o futuro, o melhor cenário para o grupo seria voltar a brilhar e assim se estabelecer como um movimento social de longo prazo, que eventualmente consegue implementar algumas das suas ideias. Foi assim com o Movimentodos Direitos Civis, o Movimento Feminista e o Movimento pelos Direitos dos Homossexuais. "Você tem que fazer a diferença em múltiplas frentes antes de fazer a diferença na frente eleitoral", afirma o cientista político.
Manifestantes não farão mais ocupações
A jovem Linnea Palmer, 24 anos, foi uma das primeiras a chegar no acampamento em Manhattan um ano atrás, no segundo dia de ocupação. Hoje, ela ainda participa do grupo, onde milita pelo meio ambiente. Embora em menor escala, eles ainda realizam atividades para divulgar, por exemplo, os perigos de uma nova extração de gás natural em Nova York.
Para Linnea, um dos motivos que causou retrocesso no movimento foi a repressão policial que impossibilitou as ocupações de praças e locais públicos pelos Estados Unidos. "Não temos nenhuma expectativa de ocupar outro espaço, especialmente em Nova York. Foi uma tática que usamos no início mas a brutalidade policial tornou isso impossível. A polícia de Nova York não quer que as pessoas tenham liberdade para se reunir publicamente", afirma.
Como alternativa, eles têm divulgado suas ações pela internet e chamadas de conferência, e se encontrado em lugares estratégicos, como bibliotecas. Além disso, focam em ações mais localizadas, como conversar com grupos comunitários e bater de porta em porta, ao invés de realizar grandes assembleias. "Temos nos aprofundado nas comunidades locais e o movimento está vivo, só que agora pensamos globalmente e agimos localmente", garante Linnea.
Para comemorar o aniversário nesta segunda-feira as atividades também serão discretas, se comparado com as marchas que reuniam milhares de pessoas em 2011. Haverá grupos encenando teatros sobre a ganância corporativa, uma assembleia na praça Foley e um protesto em frente à bolsa de valores em Nova York, onde os militantes sentarão no chão. "É para simbolizar que não aplaudiremos de pé a corrupção na Wall Street", afirma.