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O Brasil mais uma vez na contramão da história

Enquanto o mundo investe bilhões em energia renovável, o País planeja explorar mais petróleo

8 set 2009
15h49
atualizado às 16h07

O mundo investe bilhões de dólares na produção de tecnologia para alavancar o uso de energias renováveis.

A Alemanha vai substituir a matriz energética hoje dependente de petróleo e gás por eólica até 2020, tornando-se totalmente independente até 2030.

A produção de carros elétricos já entrou em escala comercial e logo será mais barato ter um carro híbrido (combustão + eletricidade), o que vai reduzir drasticamente a dependência de combustíveis fósseis.

Os EUA já alcançaram o primeiro lugar no ranking mundial no crescimento da geração eólica no mundo, superando a Alemanha e a Espanha, e com o governo Obama deve investir muito mais no setor, já que diferentemente de seu antecessor, Bush, não foi financiado pelo petróleo.

A Europa já está construindo aerogeradores de 6 MW, em torres de mais de 100 metros de altura. E o mar do Norte está totalmente mapeado para atender à demanda de muitos países da Europa.

O Japão investe na produção de pequenos aerogeradores residenciais, o que está colaborando para que as residências além de não pagar mais pela energia, ainda possam ganhar algum dinheiro com a venda do excedente gerado, diminuindo consideravelmente a dependência do petróleo.

E o Brasil, na contramão da história, quer investir milhões de dólares na produção de petróleo extraído de grandes profundidades. Alguém já se perguntou a quanto vai chegar o custo do barril? Alguém já calculou quanto o mundo vai estar consumindo daqui a 10 ou 15 anos, quando já terá substituído grande parte do consumo por energias renováveis de custo mais barato que a produção de petróleo?

Não estou aqui afirmando que não seja possível extrair óleo nessas condições, pois tendo alguém para pagar a conta, e não se importando o quanto isso vai custar, qualquer um tem condições de produzir.

Estudos revelam que o potencial eólico brasileiro é na casa dos 600.000 GW. Isso é muito acima da nossa necessidade de energia.

Não estou vendo oposição à exploração do petróleo do pré-sal com base técnica na sua viabilidade futura, frente às novas tecnologias que estão chegando a cada minuto. Alguns opositores no governo só estão contra por não estarem no rateio dos resultados de acertos para viabilizar a exploração. A discussão sobre o projeto de exploração é só para saber quem leva mais votos com a exploração, independentemente dos rumos que o mundo adotará.

Infelizmente, a ganância de poucos com o poder da caneta vai nos deixar por muito tempo à margem da economia mundial, pois uma nação com todas as características geográficas que tem só não é primeiro mundo porque alguns poucos políticos impedem o livre desenvolvimento.

Edson Carlos Flessak é empresário do setor de energias renováveis

Fonte: DiárioNet DiárioNet
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