Novo líder supremo do Irã promete seguir bloqueio no Estreito de Ormuz e 'vingar o sangue' dos iranianos mortos; o que aconteceu na guerra até agora
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira (12/3), chegando a atingir US$ 100 por barril, após mais três navios cargueiros serem atacados no Golfo Pérsico.
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, disse nesta quinta-feira (12/3) que o Irã ainda deve usar o "bloqueio do Estreito de Ormuz como instrumento de pressão".
Uma mensagem de Khamenei foi lida por um apresentador da TV estatal iraniana.
Khamenei disse que o Irã tem uma política de "amizade" com os países vizinhos, mas os aconselhou a fechar as bases americanas, que, segundo ele, o Irã continuará a atacar.
Mojtaba Khamenei ainda não foi visto publicamente desde que assumiu o lugar de seu pai no começo desta semana.
Ele disse que o Irã não hesitará em "vingar o sangue dos iranianos" que foram mortos, destacando o caso de Minab, onde um ataque dos EUA perto de uma escola matou 168 pessoas, incluindo cerca de 110 crianças.
O Irã afirma que a escola foi atingida por um míssil americano. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse à BBC na semana passada que as autoridades americanas estão investigando o caso.
Quase ao mesmo tempo em que a declaração do líder supremo era lida na televisão no Irã, o presidente americano, Donald Trump, publicou nas suas redes sociais que os EUA vão lucrar com a alta dos preços globais da energia.
"Os EUA são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, então, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro", disse Trump, no Truth Social.
Mais tarde, os Estados Unidos autorizaram outros países a comprar petróleo e derivados russos que estão sob sanções e que atualmente já se encontram carregados em navios no mar. A autorização valerá até 11 de abril.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que se trata de uma medida temporária para "promover estabilidade nos mercados globais de energia" durante a guerra.
"Essa medida, de escopo limitado e de curto prazo, aplica-se apenas ao petróleo que já está em trânsito e não trará benefícios financeiros significativos ao governo russo", disse Bessent.
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira, chegando a atingir US$ 100 por barril, após mais três navios cargueiros serem atacados no Golfo Pérsico, em meio à guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Dois petroleiros foram atingidos por um "projétil desconhecido" perto do Iraque e um navio porta-contêineres foi atacado perto dos Emirados Árabes.
A alta dos preços do petróleo ocorre mesmo depois que os 32 países concordaram em liberar 400 milhões de barris de reservas emergenciais, em um esforço para acalmar os mercados.
Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia dito que o preço do petróleo cairia: "Vai cair mais do que nós, do que qualquer um, imagina".
No Líbano, novos ataques israelenses mataram várias pessoas, incluindo pelo menos oito na orla de Beirute.
As Forças Armadas de Israel afirmam ter lançado "várias ondas" de ataques em Beirute e no sul do Líbano, tendo como alvo "infraestrutura do Hezbollah".
Em uma atualização publicada no Telegram, as Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram ter atingido "vários centros de comando" usados para coordenar ataques contra Israel.
Novos ataques iranianos foram relatados em toda a região, incluindo no Bahrein e em Omã. Em Dubai, um arranha-céu foi atingido por um aparente ataque de drone.
Ataques a navios
Mais três navios comerciais foram atacados durante a noite, de acordo com a UK Maritime Trade Operation (UKMTO), a autoridade britânica de navegação marítima, que continua aconselhando os navios a "navegarem com cautela" pela região.
Treze navios já haviam sido atacados no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã, entre 28 de fevereiro e 11 de março, informou UKMTO antes dos novos incidentes de quinta.
Dois navios foram atacados no litoral do Iraque. Por volta da 1h30 do horário local, dois petroleiros foram "atingidos por um projétil desconhecido" a 9 quilômetros da costa do Iraque, no norte do Golfo Pérsico.
Ambos os navios relataram incêndios a bordo após serem atingidos, segundo a UKMTO, que acrescentou que todos os tripulantes foram evacuados. Já a Agência de Notícias Iraquiana (INA) informou que 38 tripulantes foram resgatados e uma pessoa morreu, citando um oficial militar.
O diretor-geral da Companhia Geral de Portos do Iraque (GCPI) informou que as operações nos terminais de petróleo foram suspensas, mas os portos comerciais seguem funcionando.
Um navio foi atacado no litoral dos Emirados Árabes. Às 6h19 no horário local, a UKMTO disse ter recebido um relato de um navio porta-contêineres "atingido por um projétil desconhecido, causando um pequeno incêndio a bordo", a 64 quilômetros do litoral dos Emirados Árabes, próximo ao Estreito de Ormuz. Todos os tripulantes foram salvos.
A causa de ambos os ataques ainda está sendo investigada.
Petróleo
Os preços da energia vêm tendo forte oscilação desde o início da guerra, com uma grande disparada que fez o barril atingir US$ 120 na segunda-feira (9/3), mas recuar no dia seguinte.
Na quarta-feira, todos os 32 membros da Agência Internacional de Energia (AIE) anunciaram a liberação de 400 milhões de barris — aproximadamente o consumo mundial de quatro dias — em resposta às preocupações com o abastecimento.
A intervenção da AIE foi significativa, mas a entidade não tem capacidade de fazer isso com frequência. Operadores do mercado seguem preocupados com a indefinição sobre por quanto tempo o Estreito de Ormuz permanecerá uma zona de perigo para petroleiros.
Martin Ma, do Instituto de Tecnologia de Singapura, diz que os investidores esperam que esse conflito seja "prolongado" — o que explica por que a liberação das reservas de petróleo proporcionou pouco alívio nos mercados e serve apenas como uma "amortecimento temporário".
A Guarda Revolucionária do Irã emitiu um alerta dizendo que os inimigos do Irã "não conseguirão baixar artificialmente o preço do petróleo" e que em breve ele deverá chegar a "US$ 200 por barril".
Falando a seus apoiadores no Kentucky na quarta-feira, o presidente dos EUA disse que a decisão de 32 países de liberar reservas emergenciais "reduziria substancialmente os preços do petróleo".
"O preço do petróleo vai cair. Isso é uma questão de guerra. É quase possível prever. Eu diria que subiu um pouco menos do que pensávamos. Vai cair mais do que nós, do que qualquer um, imagina", disse Trump.
Ele disse que os EUA "analisariam com muita atenção" o Estreito de Ormuz, acrescentando: "O estreito está em ótimas condições. Destruímos todos os barcos deles. Eles têm alguns mísseis, mas não muitos."
Conflito continua
Várias pessoas morreram em ataques aéreos israelenses no Líbano nesta quinta-feira, incluindo pelo menos oito na orla marítima de Beirute, longe do reduto do Hezbollah, que era o principal alvo dos bombardeios israelenses.
O Hezbollah disparou dezenas de foguetes através da fronteira com Israel em um ataque aparentemente coordenado com seus aliados iranianos. A noite passada foi de intensos bombardeios por toda a cidade, com fortes explosões sendo ouvidas na área de Dahia, no sul de Beirute, um reduto do Hezbollah de onde milhares de pessoas já fugiram devido aos intensos ataques, afirma o repórter da BBC Wyre Davis.
Alguns ataques aéreos também atingiram outras partes de Beirute, incluindo a orla marítima da Corniche, em Ramlet al-Baida.
O Hezbollah afirmou ter lançado mais de 100 foguetes contra Haifa e outras partes do norte de Israel.
O Irã também segue atacando alvos em diversos países.
No Bahrein, um grande incêndio atingiu tanques de petróleo e combustível perto do aeroporto internacional do país. A fumaça era tão forte que as autoridades pediram à população que fechasse as janelas de suas casas.
Em Omã, bombeiros tentavam conter um incêndio em tanques de armazenamento de combustível nesta quinta-feira, resultante do ataque de ontem ao porto de Salalah. Omã também ordenou a evacuação de embarcações em seu terminal de exportação de petróleo como medida de precaução.
A Guarda Revolucionária também alertou que instituições financeiras ocidentais agora são alvos legítimos, após um ataque a um banco iraniano.
Bancos internacionais têm fechado seus escritórios no Golfo — o HSBC no Catar, e o Citi e o Standard Chartered em Dubai — orientando os funcionários a ficarem em casa.
Um arranha-céu em Dubai foi fotografado com um grande buraco na manhã de quinta-feira, depois que o governo local informou que um drone "caiu no prédio". Não está clara a origem do drone.