'Não espero que este governo, em fim de mandato, ajuste as contas públicas', diz Eduardo Giannetti
Segundo economista, governo deve cumprir de 'forma suja' o arcabouço, o que já será uma boa medida por abrir para o próximo governo a chance de fazer ajuste mais estrutural
O Brasil não se encontra, por enquanto, à beira de um precipício fiscal, mas caminha para essa situação, disse nesta quarta-feira, 25, o economista Eduardo Giannetti, ao participar de painel sobre política fiscal no Anbima Summit 2025, que ocorre nestas quarta e quinta na capital paulista.
Segundo ele, não há esperança de que o governo Lula, após dois anos e meio, vá tomar medidas para resolver estruturalmente a questão fiscal.
"Não tenho esperança que este governo, em final de mandato, vá tomar medidas para ajustar as contas públicas", disse Giannetti.
Para ele, no máximo o governo vai cumprir de "forma suja" o arcabouço fiscal, o que já será uma boa medida porque abrirá para o próximo governo fazer o ajuste de forma mais estrutural.
"Repito, não estamos à beira de um precipício fiscal, mas estamos num momento de antecipar os problemas e agir. É como uma doença; é importante agir antes de os sintomas apareçam", cobrou o economista, alertando para o fato de que se nada for feito o Brasil vai, sim, caminhar para a beira do precipício fiscal.
Outro problema que tem no Brasil e que concorre para a desorganização das contas públicas, segundo ele, é que grande parte da sociedade não sabe quanto paga de impostos e para onde vão os recursos. Ao mesmo tempo, tem um governo que arrecada muito e gasta muito mal, afirmou.