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Multilaser, Mondial ou Britânia? Sua próxima TV pode ser uma marca nacional; entenda

Empresas brasileiras estão de volta à produção de televisores, retomando tendência vista até os anos 1990, quando marcas locais disputavam setor; fabricantes tentam ganhar relevância em mercado que movimenta até R$ 30 bilhões por ano

19 jun 2021 13h04
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Empresas brasileiras estão de volta à produção de televisores, depois de um longo período no qual a fabricação no País praticamente ficou nas mãos de companhias asiáticas - coreanas, chinesas e japonesas. Nos anos 1990, havia várias fabricantes nacionais, como Gradiente, Sharp, Cineral, que acabaram deixando a produção de TVs. Agora o movimento de volta das nacionais é capitaneado por três indústrias com tradição na fabricação de eletroportáteis e eletrônicos, Mondial, Britânia e Multilaser.

Apesar de o porte das brasileiras ser muito menor do que o das gigantes coreanas que dominam o mercado, a chegada das novatas deve incomodar as multinacionais. E quem deve sair ganhando é o consumidor. Especialistas veem para os próximos meses uma guerra de preços de TVs, mesmo considerando a alta de custos dos componentes cotados em dólar. A intenção das novas fabricantes é conquistar uma fatia das vendas de televisores no varejo, que chegam a movimentar cerca de R$ 30 bilhões por ano.

Uma combinação de fatores tem atraído empresas nacionais para a produção de TVs. O isolamento social imposto pela pandemia aumentou a importância do entretenimento dentro de casa. Tanto é que as vendas de aparelhos no varejo no ano passado registraram um pequeno crescimento ante 2019 e somaram 12,147 milhões de unidades, segundo a consultoria GFK.

Também a crise econômica explica parte do interesse dos novos fabricantes. Mesmo com o bolso mais apertado, o brasileiro manteve o desejo de ter uma TV conectada de tela grande. "O consumidor passou a racionalizar a compra: procura hoje uma TV premium, mas com custo benefício maior", explica o diretor de Varejo da GFK, Fernando Baialuna. Essa reação abriu espaço para que outras empresas começassem a explorar um novo filão de mercado que vinha se desenhando, mas que foi acelerado pela pandemia.

Na opinião de José Jorge do Nascimento, presidente da Eletros, que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, o amadurecimento do produto reduziu o custo dos investimentos em tecnologia. E isso facilitou o acesso de empresas nacionais, normalmente menos capitalizadas do que as multinacionais, à produção de televisores. Ele lembra também que, em setembro do ano passado, a japonesa Sony deixou uma lacuna no mercado de TVs ao anunciar a saída definitiva do País.

Um salto das fabricantes de eletroportáteis

A Mondial, líder no segmento de eletroportáteis, comprou a fábrica da Sony em Manaus (AM). Com isso, encurtou o plano de produzir TVs, inicialmente previsto para se concretizar em três anos. A companhia começa a produzir TVs em outubro e a perspectiva é que os aparelhos cheguem ao mercado em novembro. "Estamos expandindo a empresa para a linha branca e de eletroeletrônicos e TV é o produto de maior valor agregado. Produzir televisão é aspiracional para qualquer indústria que entra nesse segmento", diz Giovanni Marins Cardoso, sócio fundador.

Na sua avaliação, as companhias nacionais neste momento estão vendo mais oportunidades no mercado brasileiro do que problemas e têm mais ímpeto para investir do que as multinacionais. O empresário não revela quanto vai aplicar no novo negócio e diz que no momento está definindo as metas de produção. A intenção é aproveitar a sinergia da marca e a capilaridade da distribuição dos eletroportáteis para vender TVs.

Televisão da marca brasileira Britânia, que, ao lado da Mondial e da Multilaser, busca espaço em mercado dominado por fabricantes estrangeiras.
Televisão da marca brasileira Britânia, que, ao lado da Mondial e da Multilaser, busca espaço em mercado dominado por fabricantes estrangeiras.
Foto: Edson Rodrigues Jr/Divulgação / Estadão

A Britânia é outra empresa que pegou carona nos eletroportáteis para avançar no mercado de televisores. "Fizemos uma pesquisa e descobrimos que já estávamos presente com a marca Britânia em 98% dos lares com eletroportáteis", conta Heloísa Freitas, gerente de marketing.

A empresa, que já produz TVs com a marca Philco, começou a fabricar smart TVs de 32, 42, 50 e 55 polegadas com a marca Britânia em fevereiro, na unidade de Manaus (AM). Desde o mês passado os produtos começaram a chegar ao varejo. "Queremos pegar a fatia de empresas que saíram do mercado e aproveitar o aumento do consumo e do entretenimento que veio com a pandemia", afirma Heloísa.

Também sem revelar investimentos e metas de vendas, ela diz que a intenção é atuar como a marca Britânia numa faixa de preço intermediário, entre R$ 200 a R$ 300 mais barato do que a concorrência, dependendo do modelo do aparelho e da loja. Já a marca Philco, desde 2007 com a companhia, se mantém como marca de televisores com mais tecnologia e inovação. A gerente frisa que não há risco de canibalismo entre as duas marcas.

Parceria com grupo chinês

A Multilaser, uma das principais fabricantes de itens de informática e telefonia fechou neste ano parceria com o grupo chinês Hisense, que detém os direitos da marca Toshiba, para usar essa bandeira, que tem forte presença na memória dos brasileiros, em televisores voltados para o segmento premium. Durante décadas a marca Toshiba esteve presente no mercado brasileiro nas TVs fabricadas pela Semp. Mas a parceria acabou em 2018. A empresa também tem TVs com a marca Multilaser, mas esta é voltada para aparelhos de menor valor.

Fábrica da Multilaser em Extrema (MG).
Fábrica da Multilaser em Extrema (MG).
Foto: Marcel Fernandez/Divulgação / Estadão

Lançados no mês passado, os aparelhos da Toshiba serão produzidos nas unidades da companhia em Manaus (AM) e em Extrema (MG). A meta é fabricar 1 milhão de televisores por ano em cinco anos, diz o vice-presidente de produto, André Poroger. Segundo ele, com a parceria, a empresa obtém tecnologia e consegue preços competitivos de igual para igual com as fabricantes coreanas.

Um dos fatores que levaram a companhia apostar no mercado de TVs foi a mudança no uso dos aparelhos: "A televisão se transformou numa plataforma de acesso à internet." Poroger argumenta que a empresa é forte em informática, líder em tablets, por exemplo. E, com a mudança no uso da TV, houve uma convergência entre os segmentos de informática e de vídeo.

Estadão
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