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Mesmo com pandemia, Pernambucanas avança em plano de expansão no Norte e Nordeste

Investimento da rede em novas lojas neste ano deve chegar a R$ 170 milhões, sendo um quarto deste total nas duas regiões; presidente da empresa diz que investir em momentos de crise é mais vantajoso do que em períodos de bonança

18 jun 2021 00h01
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Ainda em meio à pandemia, mas com a vacinação avançando, a Pernambucanas decidiu deslanchar o plano de expansão para se tornar uma varejista nacional. A rede inaugura na semana que vem lojas nas regiões Norte e Nordeste. Com isso, passa a estar presente em 12 Estados e no Distrito Federal.

O primeiro ponto de venda no Norte será no Estado de Tocantins, em Gurupi. No Nordeste, a primeira loja será na Bahia, em Salvador. A meta para este ano é ter ao menos dez lojas nas duas regiões, do total de 42 programadas. A rede deve fechar 2021 com um total de 454 lojas. O investimento em expansão para 2021 beira a R$ 170 milhões, dos quais Norte e Nordeste devem ficar com quase um quarto.

Sérgio Borriello, presidente da Pernambucanas
Sérgio Borriello, presidente da Pernambucanas
Foto: Pernambucanas/ Divulgação / Estadão

"A pandemia atrasou um pouco o plano de nacionalizar a companhia", afirma o presidente da varejista, Sérgio Borriello. Apesar da queda no poder de compra do brasileiro que houve no último ano por causa da crise, o que tira a atratividade do mercado de consumo - sobretudo em regiões mais pobres como Norte e Nordeste -, o executivo afirma que a renda do consumidor é apenas um dos fatores considerados na expansão. "Para crescer é preciso aumentar o espaço geográfico", argumenta.

Além disso, ele ressalta que investir em momentos de crise é bem mais vantajoso do que em períodos de bonança. Isso porque os custos de aluguel e outras despesas para se estabelecer em novas praças geralmente são menores. "O contrafluxo do investimento é importante para determinar o seu retorno."

Até dezembro, estão programadas mais duas lojas no Tocantins, nas cidades Araguaina e na capital Palmas. Na Bahia, serão abertos três pontos de venda em Salvador e mais três nos municípios de Teixeira de Freitas, Eunápolis e Vitória da Conquista. O alvo são cidades com mais de 70 mil habitantes e a escolha por loja de rua ou shopping depende do mercado local.

Depois da Bahia e do Tocantins, a companhia avalia Amazonas e Sergipe e a possibilidade de um centro de distribuição no Nordeste. Também tem planos de chegar em Pernambuco em 2022. A meta é cobrir todo o País com lojas em cinco anos.

Apesar de o nome da rede fazer menção ao Estado do Nordeste, a Arthur Lundgren Tecidos, que dividiu a marca Pernambucanas com Lundgren Irmãos Tecidos - falida em 1997 -, nunca teve lojas no Nordeste do País. Na época da reestruturação societária, a empresa que quebrou tinha ficado com a operação no Rio de Janeiro e no Nordeste, e a Arthur Lundgren Tecidos com os negócios no Sul, Centro-Oeste e São Paulo. Em 2019, a Arthur Lundgren Tecidos voltou a operar com a Pernambucanas no Rio de Janeiro e agora está indo para o Nordeste.

Capilaridade

A decisão da Pernambucanas de fincar bandeira em outras regiões está relacionada com a discussão trazida pela pandemia sobre capilaridade e adensamento nos planos de expansão de varejista, avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra.

Com o avanço da venda digital, muitas companhias começaram a se perguntar se seria eficiente abrir mais lojas em praças onde elas já estão ou buscar novas localidades. "Muitas redes estão revisando estratégias de adensamento e indo para novos mercados com objetivo de continuar crescendo com novos clientes", afirma o consultor.

Quando uma varejista abre novas regiões onde a competição é menor, ela potencializa a venda digital. Isso porque passa a ter uma base física que permite a compra no online e a retirada na loja, por exemplo, explica Terra. Também a loja começa a funcionar como um minicentro de distribuição para as vendas online.

"Nossa estratégia é 'figital'", frisa Borriello, sobre a integração do mundo online com as lojas físicas, onde o cliente escolhe por onde quer comprar os produtos, misturando os canais muitas vezes. No ano passado, a venda online da companhia cresceu 1.100% e neste ano avança pelo menos 500%, diz o executivo. "O negócio digital, que começa no e-commerce e termina na loja física, representa entre 14% e 16% do faturamento", afirma.

No ano passado, a receita da companhia atingiu R$ 3,8 bilhões, com queda de 10% em relação a 2019, levando-se em conta as mesmas lojas. Em 2020 foram abertas 38 lojas e não houve encerramento definitivo de pontos de venda, mesmo com as dificuldades impostas pelo isolamento social. A varejista terminou 2020 com 412 lojas. Atualmente são 421 pontos de venda em funcionamento. Para este ano, o executivo não faz previsões sobre a receita

Estadão
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