Mega da Virada: quanto renderia o prêmio de R$ 1 bilhão?
Ah, a Mega da Virada. O sorteio mais aguardado do ano acontece no dia 31 de dezembro e promete pagar um prêmio estimado em R$ 1 bilhão, valor capaz de mudar a vida de qualquer pessoa da noite para o dia.
Mas, passada a euforia do bilhete premiado, surge uma pergunta inevitável: quanto esse dinheiro renderia se fosse investido com calma e estratégia? Uma simulação de renda fixa para 12 meses mostra que, mesmo sem correr riscos, a escolha do investimento pode gerar uma diferença de quase R$ 43 milhões no ganho líquido ao longo de apenas um ano.
A simulação considera a aplicação integral do prêmio por 12 meses, sem aportes adicionais ou resgates intermediários, em produtos de baixo risco. O exercício compara alternativas tradicionais da renda fixa, levando em conta rentabilidade bruta, custos, Imposto de Renda e resultado líquido final, em um cenário de juros ainda elevados.
LCI e LCA lideram o ranking de retorno líquido
Entre todas as opções analisadas, LCI e LCA aparecem como o investimento mais eficiente do ponto de vista líquido. Com isenção de Imposto de Renda, esses papéis permitem que todo o rendimento bruto seja incorporado ao resultado final.
Na simulação, um aporte de R$ 1 bilhão em LCI/LCA resultaria em um valor líquido acumulado de R$ 1,12665 bilhão, o equivalente a um ganho líquido de R$ 126,65 milhões em 12 meses, com rentabilidade líquida de 12,66%.
O CDB pós-fixado a 100% do CDI também apresenta desempenho robusto. Apesar de uma rentabilidade bruta maior, de 14,9%, a incidência de R$ 26,075 milhões em Imposto de Renda reduz o resultado final. Ainda assim, o investimento termina o período com R$ 1,122925 bilhão, gerando um ganho líquido de R$ 122,925 milhões, ou 12,29% no ano.
Tesouro Selic e fundo DI ficam atrás após custos e impostos
Os produtos mais conservadores do mercado, como Tesouro Selic e fundos DI, aparecem logo na sequência, mas perdem eficiência quando entram na conta os custos e a tributação.
No Tesouro Selic, além do Imposto de Renda de R$ 26,075 milhões, pesa o custo de custódia de R$ 2,298 milhões, o que leva o valor líquido acumulado para R$ 1,120627 bilhão. O ganho líquido, nesse caso, é de R$ 120,627 milhões, com rentabilidade líquida de 12,06%.
Já o fundo DI sofre ainda mais com taxas. Mesmo com rentabilidade bruta de 14,63%, os custos de R$ 2,865 milhões e o IR de R$ 25,598 milhões reduzem o resultado. Ao final de 12 meses, o valor líquido chega a R$ 1,117809 bilhão, gerando um ganho líquido de R$ 117,809 milhões, ou 11,78%.
Prefixado e IPCA+ rendem menos em horizonte de um ano
Entre os títulos do Tesouro com outras formas de remuneração, o desempenho é mais modesto no curto prazo. O Tesouro Prefixado acumula um ganho líquido de R$ 113,22 milhões, com rentabilidade líquida de 11,32%, refletindo tanto a tributação quanto a ausência de indexação ao CDI.
O Tesouro IPCA+, apesar de oferecer proteção contra a inflação no longo prazo, aparece com um dos menores retornos na simulação de apenas 12 meses. O valor líquido acumulado chega a R$ 1,084497 bilhão, resultando em um ganho líquido de R$ 84,497 milhões, ou 8,45% no período.
Poupança segue na última posição
Na outra ponta da comparação está a poupança, que mantém a isenção de Imposto de Renda, mas segue perdendo em rentabilidade. Ao fim de um ano, o valor acumulado chega a R$ 1,083791 bilhão, o que representa um ganho líquido de R$ 83,792 milhões, com rentabilidade de 8,38%.
A simulação deixa claro que, mesmo para um prêmio bilionário da Mega da Virada, o fator decisivo não é correr mais risco, mas entender como impostos, custos e indexadores impactam o resultado final. Em um único ano, a diferença entre a melhor e a pior escolha ultrapassa R$ 42 milhões.