Master era mais banco tradicional do que fintech e caso não afeta investidores, diz CEO do PicPay
Segundo Eduardo Chedid, fato de o Banco Central ter liquidado o Master mostra que o regulador está 'atento' e 'olhando para o sistema'
NOVA YORK - O presidente do PicPay, Eduardo Chedid, afirmou que o caso do Banco Master não impacta o pensamento dos investidores sobre as fintechs. O tema não foi levantado durante as conversas com mais de 300 investidores no âmbito do processo da abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) em Nova York, conforme o executivo.
"Não acho que o Banco Master afete o que os investidores pensam sobre fintechs. Se tem uma coisa que o Banco Master não era, era uma fintech. Era muito mais um banco tradicional do que uma fintech", afirmou ele, a jornalistas, após cerimônia de listagem das ações do PicPay na Nasdaq, em Nova York.
Segundo o executivo, o fato de o Banco Central ter liquidado o Banco Master mostrou que o regulador está "atento" e "olhando para o sistema".
O PicPay, controlado pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, fechou na noite de quarta-feira, 28, uma oferta inicial de ações em Nova York que movimentou US$ 435 milhões. O banco digital estreou na Nasdaq nesta quinta-feira, 29, avaliado em US$ 2,6 bilhões. Foi o primeiro IPO de uma empresa brasileira em Nova York desde a abertura de capital do Nubank, em dezembro de 2021.
Apetite pelo Brasil
Chedid disse que o investidor estrangeiro demonstra mais apetite pelo Brasil e ativos de mercados emergentes em geral, em meio ao aumento de tensões geopolíticas e à gestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele acredita que o País deve atrair mais recursos no cenário atual.
"Sentimos um melhor interesse pelo Brasil, mas não só Brasil, mercados emergentes. Acho que ainda tem uma tem alguma rotação (de investimentos)", disse.
De acordo com ele, os estrangeiros perguntam muito sobre os juros e o tema eleições também apareceu nas mais de 300 conversas com investidores que o banco digital realizou por conta de sua abertura de capital.
"Alguns perguntam sobre eleição, mas vou te dizer que muito menos do que perguntavam o ano passado", disse Chedid.
Quanto aos sócios do PicPay, o executivo afirmou que a família Batista é importante para o negócio, mas não foi tema das conversas com os investidores. Os irmãos Wesley e Joesley Batista não têm influência no dia a dia da empresa, conforme ele. "É um negócio bastante isolado."
O PicPay tentou abrir o capital em 2021, mas adiou a operação devido às condições de mercado. Fundada em 2012 por três empreendedores de Vitória (ES), a fintech foi comprada em 2015 pelo Banco Original, da J&F, holding da família Batista.