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Master: Campos Neto diz que presidência do BC não pode ser responsabilizada por falha de terceiros

Ex-presidente do BC se manifesta pela 1ª vez sobre caso Master; irregularidade de servidores da autarquia suspeitos de receber 'mesada' de Vorcaro teriam ocorrido durante sua gestão

23 mar 2026 - 14h54
(atualizado às 15h11)
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BRASÍLIA - O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto afirmou nesta segunda-feira, 23, que a cúpula da instituição não trata de operações de bancos do segmento S3 - de médio porte - e também que não pode ser responsabilizada por falha de terceiros.

É a primeira vez que ele se manifesta sobre o caso Master - embora sem mencionar o nome da instituição -, que teve crescimento exponencial durante o período em que esteve à frente do BC. A manifestação foi enviada ao Estadão/Broadcast por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa.

Mais cedo, a reportagem trocou mensagens com Campos Neto informando-o sobre um processo investigativo feito pela Controladoria-Geral da União (CGU) a ex-funcionários do BC que estariam envolvidos no escândalo do Banco Master, e o ex-banqueiro se comprometeu a fazer um comentário. Essas irregularidades supostamente ocorreram de 2019 a 2023, durante sua presidência.

O sistema bancário nacional conta com classificações por tamanho das instituições financeiras. Ao comando do BC são levados os casos que envolvem bancos maiores. É o caso de questões ligadas aos bancos S1 (com ativos acima de 10% do PIB) e S2 (de 1% a 10% do PIB), que passam rotineiramente pela diretoria executiva da instituição. O banco de Daniel Vorcaro, por essa classificação, era uma instituição do S3, com 0,57% do ativo total do sistema.

Nesta segunda-feira, a CGU abriu quatro processos administrativos disciplinares (PADs) contra o ex-diretor de Fiscalização do BC Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe de Departamento de Supervisão Bancária Belline Santana, que foram afastados do cargo pela autoridade monetária em janeiro.

De acordo com Campos Neto, ambos os servidores chegaram à instituição antes que ele fosse indicado à presidência e permaneceram na autarquia após sua saída, ao final de 2024. A CGU tem 60 dias para concluir as averiguações. Procurada, não quis se manifestar.

Segundo a PF, os ex-gestores do Banco Central eram "consultores informais" do Master dentro do órgão público e receberam vantagens indevidas para atrapalhar a investigação sobre o banco de Vorcaro, que está preso e negocia uma delação premiada.

O relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, afirmou em uma decisão no início do mês que Paulo Sérgio era "uma espécie de empregado/consultor" para assuntos privados de Vorcaro.

Como mostrou o Estadão, Campos Neto sabia dos graves problemas de liquidez enfrentados pelo Master durante a sua gestão à frente da autoridade monetária, mas evitou tomar medidas mais extremas contra o banco.

Documentos revelam que a instituição de Daniel Vorcaro recebeu uma espécie de ultimato do BC um mês antes d Campos Neto deixar o comando da instituição - e ano antes de ser liquidado pelo atual presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025.

Leia a nota de Campos Neto na íntegra

"São funcionários de carreira, que já estavam lá antes da gestão de Roberto Campos e assim seguiram até ano passado. O Diretor Paulo deixou a diretoria e assumiu como chefe adjunto do Desup [Departamento de Supervisão Bancária], que monitorava bancos pequenos e médios, e permaneceu lá até a liquidação. Os dois funcionários em questão contavam com o apoio dos quadros internos do próprio banco.

A presidência do Banco Central não trata das operações específicas de bancos do segmento S3 e não pode ser responsabilizada por falhas de terceiros. A área de fiscalização e supervisão têm uma tradição histórica de ter funcionários de carreira do BC e foi o que ocorreu na gestão de Roberto Campos Neto."

Estadão
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