Maior cuidado com a casa? Mercado de seguros e assistência residencial movimentou R$ 6 bilhões em 2024
Demanda por encanadores, eletricistas e chaveiros cresce com mudança no estilo de vida e aumento de equipamentos conectados nas residências
O mercado de seguros e assistência residencial bateu recorde em 2024 e movimentou cerca de R$ 6 bilhões, segundo dados do setor. A mudança no comportamento dos brasileiros desde a pandemia impulsionou a procura por serviços como encanadores, eletricistas e chaveiros — e a tendência é de crescimento contínuo.
De acordo com Rogério Guandalini, diretor Comercial e de Marketing da Europ Assistance, o crescimento tem origem no período pós-pandemia, quando o modelo de trabalho remoto ou híbrido fez com que muitas pessoas passassem mais tempo em casa.
“Antes da pandemia, a maioria das pessoas passava o dia fora. Agora, com o trabalho híbrido, elas passam dois, três ou até todos os dias em casa”, explica o executivo.
Crescimento de 16,5% no seguro residencial em 2024
Segundo levantamento da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), o ramo de seguros residenciais teve crescimento de 16,5% em 2024, arrecadando os R$ 6 bilhões — acompanhados por R$ 1,6 bilhão em indenizações, 1,5% acima do ano anterior .
O aumento da arrecadação está ligado a fatores como:
- Maior preocupação com segurança patrimonial, sobretudo em imóveis com infraestrutura moderna.
- Valorização dos imóveis brasileiros, impulsionada por retomada do mercado imobiliário — e 43% dos brasileiros planejam comprar imóvel em 2025.
- Eventos climáticos mais frequentes, como vendavais, alagamentos e quedas de raios, que intensificam a percepção da necessidade de proteção.
Além disso, estudos apontam que soluções tecnológicas associadas aos seguros — como portarias virtuais, câmeras inteligentes e Inteligência Artificial — vêm ganhando espaço, sendo adotadas por cerca de 19% das empresas do setor para melhorar o monitoramento e o atendimento .
Consumo maior, mais manutenção
Com o maior tempo dentro de casa, a utilização dos equipamentos domésticos se intensificou. “O ar-condicionado fica ligado o dia todo, o micro‑ondas é usado com mais frequência, a cafeteira, a iluminação… Esse uso mais intenso faz com que os equipamentos apresentem defeitos mais cedo do que acontecia antes”, diz Guandalini.
Como consequência direta, o número de chamados por assistência praticamente triplicou em comparação ao período pré-pandemia. Os serviços mais acionados hoje são:
- Hidráulica (encanadores)
- Elétrica (eletricistas)
- Chaveiros
Casas mais tecnológicas, problemas mais complexos
Outro fator que ajuda a explicar o crescimento do setor é o aumento da sofisticação tecnológica nas residências. “Os equipamentos estão cada vez mais conectados. É comum encontrar casas com eletrodomésticos integrados a assistentes virtuais, como a Alexa”, afirma o diretor da Europ Assistance.
Esse novo perfil de moradia — com eletrodomésticos inteligentes e conectados — exige mão de obra mais qualificada, não apenas para resolver falhas elétricas ou mecânicas, mas também problemas de conectividade e integração com os sistemas da casa.
“Hoje, o técnico precisa entender de tecnologia e até de redes de internet, porque o problema pode estar tanto no aparelho quanto na forma como ele se comunica com outros dispositivos”, completa Guandalini.
Tendência de alta
A combinação entre uso intenso da casa, equipamentos modernos e mudança no comportamento do consumidor tem transformado o modo como os brasileiros cuidam do lar — e impulsionado um mercado bilionário.
Segundo projeções do setor, a demanda por seguros e assistência residencial deve continuar crescendo nos próximos anos.
A combinação entre uso intenso da casa, equipamentos mais modernos e mudança de comportamento do consumidor tem transformado o modo como os brasileiros cuidam do lar — e impulsionado um mercado bilionário que, em 2024, já se consolidou como essencial para muitas famílias.