Lucro do HSBC é prejudicado por perda de US$400 mi em crédito privado
O HSBC registrou uma perda inesperada de US$400 milhões ligada a um caso de fraude no Reino Unido nesta terça-feira, levantando mais questões sobre a exposição dos credores ao crédito privado.
A perda mostra por que os órgãos reguladores de todo o mundo têm se preocupado mais com a exposição dos bancos ao setor de crédito privado de US$3,5 trilhões, destacando a natureza muitas vezes indireta e opaca dos empréstimos.
O banco britânico emprestou dinheiro a uma empresa de private equity, que, por sua vez, financiou uma securitização - a forma de empréstimo que se tornou notória durante a crise financeira de 2008, na qual empréstimos de menor valor, como hipotecas, são agrupados e vendidos a investidores.
A diretora financeira Pam Kaur se recusou a identificar a empresa envolvida, mas confirmou que a exposição estava relacionada a "empréstimos privados relacionados a crédito".
O maior banco da Europa registrou lucro antes dos impostos de US$9,4 bilhões para janeiro-março, contra US$9,5 bilhões um ano antes e a média de US$9,59 bilhões das estimativas dos analistas compiladas pelo HSBC.
A perda relacionada à fraude, juntamente com as provisões tomadas contra o impacto da guerra entre os EUA e Israel e o Irã, elevou a perda de crédito esperada do HSBC para o primeiro trimestre em US$400 milhões líquidos para US$1,3 bilhão, fazendo com que os lucros ficassem abaixo das expectativas dos analistas.
As ações do HSBC, que subiram 52% no último ano, caíam 5% em Londres nesta terça-feira, após o anúncio dos resultados.
O surgimento de sinais mais amplos de estresse no setor do crédito privado levou os órgãos reguladores dos EUA, do Reino Unido e de outros países a investigar a exposição dos credores, enquanto autoridades como o chair do Federal Reserve dos EUA, Jerome Powell, também tentaram acalmar a ansiedade do mercado.
O banco disse que tem US$111 bilhões em exposição relacionada a mercados privados, dos quais US$22 bilhões estão relacionados a crédito privado.
O HSBC revisou sua taxa de crédito para 2026 para 45 pontos-base da média dos empréstimos brutos, ante 40 pontos-base, citando "incerteza nas perspectivas".
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