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BC diz que guerra no Irã pode ter materializado riscos para inflação e vê maior chance de impactos duradouros

5 mai 2026 - 08h19
(atualizado às 09h33)
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O Banco Central avalia que a continuidade ‌da guerra no Irã aumenta a chance de impactos duradouros na economia global e que o conflito já pode ter sido suficiente para materializar riscos para a inflação no Brasil, especialmente a piora em expectativas de mercado, mostrou nesta terça-feira a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

O documento apontou uma piora em dados correntes de inflação, que surpreenderam de forma ⁠negativa em valores significativamente acima do esperado, mostrando "sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos", mas destacou ‌que "eventos recentes não impediriam o prosseguimento" do ciclo de calibração da Selic.

Na ata, a autarquia afirmou que, entre os riscos que parecem ter se materializado após a guerra, aparece de forma ‌mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação ‌para horizontes mais longos, em particular para 2028.

"Em um ambiente de expectativas desancoradas, como ⁠é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", enfatizou o documento como uma conclusão compartilhada por toda a diretoria.

Para o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, o BC indica que ficou menor "a gordura a ser gasta", em referência à forma como a diretoria da autarquia tem se referido ao espaço para redução ‌da Selic.

"Diante desse desancoramento adicional, o BC terá menor espaço para o afrouxamento monetário pós-conflito --o ciclo de ‌cortes de juros tende a ⁠ser menor do que ⁠o esperado antes do conflito", afirmou.

O Comitê reafirmou compromisso de combater os efeitos de segunda ordem do choque ⁠de oferta do petróleo, que subiu após a ‌guerra, "e serenidade para reunir mais informações ‌ao longo do tempo".

O documento reafirmou ainda que uma inflação pressionada pela demanda requer política monetária contracionista.

Na avaliação de Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, a ata trouxe tom duro do BC, que se mostra preocupado com inflação, expectativas desancorando "e, principalmente, com o risco de ⁠ter que manter juros altos por mais tempo".

"O ciclo virou um ciclo de 'calibragem fina', dependente de dados, com risco real de parar antes do que o mercado projetava", disse.

Na semana passada, o BC cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, a 14,50% ao ano, e argumentou que precisará incorporar novas informações para definir ‌os juros à frente, mencionando possibilidade de ajuste do ritmo e da extensão do ciclo de "calibração" da taxa.

O Copom manteve em suas comunicações o mesmo número de riscos que podem pressionar ⁠a inflação para cima e para baixo, fazendo ajustes pontuais, mas prosseguiu discussão sobre mudanças maiores.

"O Comitê mais uma vez debateu alterações mais amplas no balanço de riscos para a inflação", disse o BC no documento.

O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, avaliou que o plano de voo do BC ainda contempla cortes adicionais da Selic à frente, mas reconheceu que a atual previsão da instituição, de taxa Selic em 13,50% no fim deste ano com uma dissipação da guerra, "tem se tornado cada vez menos provável".

"A probabilidade de uma calibração mais gradual ou de menor magnitude aumentou, uma vez que avaliamos que o cenário de inflação pode se deteriorar adicionalmente", disse.

Apesar de apresentar visões negativas em mais de uma frente, a autarquia avaliou na ata que política de juros tem contribuído "de forma determinante" para a desinflação observada, tendo atuado também na desaceleração do crédito.

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