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Ação da Ambev dispara após forte alta de receitas e volume recorde no 3º tri

28 out 2021 09h18
| atualizado às 15h00
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Por Paula Arend Laier

REUTERS/Paulo Whitaker
REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

SÃO PAULO (Reuters) -As ações da Ambev chegaram a disparar quase 11% nesta quinta-feira, após a fabricante de bebidas divulgar forte crescimento de receitas entre julho e setembro, quando atingiu os maiores volumes consolidados já registrados em um terceiro trimestre.

Os volumes cresceram 7,7% em termos orgânicos em relação ao mesmo período do ano passado, para 45,7 milhões de hectolitros, e a receita líquida avançou 20,8%, a 18,5 bilhões de reais, com 8 dos 10 principais mercados crescendo também acima do terceiro trimestre de 2019.

A unidade Cerveja Brasil mostrou crescimento de 7,5% em volume frente ao mesmo trimestre de 2020, em linha com as expectativas da empresa, enquanto a receita registrou elevação de 16,2%.

"A AmBev mais uma vez superou as expectativas em uma execução de vendas de alto nível, o que permitiu que seus volumes atingissem o nível recorde no terceiro trimestre, ainda mais impressionante considerando as comparações difíceis do ano passado", afirmou a analista do Credit Suisse Marcella Recchia em nota a clientes.

Por volta de 14:50, as ações da Ambev subiam 9,4%, a 16,65 reais, enquanto o Ibovespa avançava 0,45%. Na máxima mais cedo, os papéis da companhia chegaram a 16,87 reais (+10,84%), maior patamar intradia desde 8 de setembro.

A receita por hectolitro subiu 12,1%, mas o custo dos Produtos Vendidos por hectolitro (CPV/hl) aumentou 18,5%, segundo a fabricante de bebidas, em razão dos impactos esperados de câmbio e commodities.

As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) também aumentaram, em 19,3%, impactadas por provisões de remuneração variável mais elevadas.

Nesse contexto, o resultado medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado aumentou 9,4%, para 5,5 bilhões de reais, com a margem Ebitda ajustado caindo 3,1 pontos percentuais, para 29,6%.

"A receita líquida continua impulsionando o nosso desempenho de Ebitda, que permanece sob pressão das commodities e do câmbio, e maiores despesas com vendas, gerais e administrativas, que por sua vez é impactado por provisões de remuneração variável mais elevadas", afirmou a companhia.

Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo da Ambev, Jean Jereissati, disse estar confiante de que o Ebitda da empresa voltará aos níveis de 2019 ou talvez até mais neste ano, mas acrescentou que o real fraco e preços mais elevados de commodities devem manter pressão sobre os resultados.

No terceiro trimestre, o lucro líquido avançou 57,4%, para 3,7 bilhões de reais no terceiro trimestre. Em termos ajustados, aumentou 50,4%, para 3,75 bilhões de reais.

A geração de caixa das atividades operacionais foi de 6,4 bilhões de reais, comparado a 7 bilhões de reais no terceiro trimestre do ano passado.

"A Ambev reportou um trimestre para lembrar", afirmaram os analistas do BTG Pactual Thiago Duarte e Henrique Brustolin em nota enviada a clientes, avaliando que o resultado tem o potencial de desencadear algumas melhorias nas previsões para os resultados de curto prazo.

À medida que a concorrência muda para um novo modelo de distribuição e a capacidade da indústria retoma gradualmente, a equipe do BTG avalia que a Ambev está aproveitando para recuperar espaço em marcas principais que ficaram para trás por vários anos, mesmo à custa de lucratividade.

"Supondo que iniciativas comerciais como o (aplicativo) BEES e o (app) Zé sejam tão promissoras quanto parecem, a Ambev poderia sair dessa mais forte do que antes", afirmaram.

Os analistas do BTG, porém, questionaram se "a Ambev pode reacender o poder de precificação e recuperar as margens (unitárias ou percentuais) de modo que permita que o desempenho da receita flua para os resultados financeiros". A recomendação foi mantida em "neutra" para a ação por enquanto.

(Com reportagem adicional de Gabriel Araújo; Edição de Eduardo Simões e Alberto Alerigi Jr.)

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