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'Liberation Day' de Trump pode gerar oportunidades para a agricultura brasileira

A agricultura tropical regenerativa é uma estratégia que une segurança alimentar, segurança climática e segurança econômica

28 abr 2025 - 19h00
(atualizado às 22h11)
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O Liberation Day de Trump pode ser interpretado não apenas como uma medida protecionista, mas como um sinal do esgotamento de um modelo global baseado na dependência de insumos centralizados e comércio linear de commodities. Indica uma oportunidade para o Brasil acelerar a transição para uma agricultura regenerativa e soberana.

Nossa dependência de insumos importados é estrutural e conhecida. Um novo ciclo de imprevisibilidade nos custos de fertilizantes sintéticos e defensivos químicos, que se soma a outros, como a covid-19 e o conflito Rússia-Ucrânia, amplia a urgência de termos uma produção doméstica de insumos.

Entre 2020 e 2022, o cloreto de potássio passou de US$ 250 para US$ 520 por tonelada; a ureia chegou a US$ 700/t, e o glifosato ultrapassou os US$ 9/kg, dobrando seu preço. Os dados demonstram a fragilidade da estratégia produtiva excessivamente dependente.

O Brasil construiu os pilares regulatórios e tecnológicos necessários para uma substituição sustentável e competitiva de insumos. A Lei dos Bioinsumos (Lei n.º 15.070/2024), permite e incentiva a produção [ITALIC]on farm[/ITALIC] de insumos biológicos.

A regulamentação dos remineralizadores (Lei n.º 12.890/2013) legitima o uso de fontes minerais nacionais. Além disso, o Código Florestal (Lei n.º 12.651/2012) estabelece parâmetros claros para conservação e uso do solo.

Esses fundamentos criam uma oportunidade singular. A agricultura regenerativa prioriza a regeneração dos solos com o uso de bioinsumos, remineralizadores, plantas de cobertura e fertilizantes naturais.

De acordo com o relatório da BCG (2024), a transição regenerativa em 40 milhões de hectares no Cerrado brasileiro pode gerar até R$ 32 bilhões por ano em valor adicional, com a possibilidade de sequestrar mais de 1,2 bilhão de toneladas de CO2 em três décadas.

A agricultura regenerativa prioriza a regeneração dos solos com o uso de bioinsumos, remineralizadores, plantas de cobertura e fertilizantes naturais
A agricultura regenerativa prioriza a regeneração dos solos com o uso de bioinsumos, remineralizadores, plantas de cobertura e fertilizantes naturais
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Esse modelo responde às crises recorrentes de insumos e atua de forma preventiva contra a expansão desordenada da fronteira agrícola. Além disso, a substituição de importações por cadeias regionais regenerativas permite que os recursos destinados a compras externas circulem regionalmente.

A estruturação de biofábricas locais, moagem de rochas silicáticas, polos de compostagem e redes de sementes adaptadas estimula a economia rural, gera empregos qualificados e fortalece a cooperação.

A agricultura tropical regenerativa é uma estratégia que une segurança alimentar, segurança climática e segurança econômica. O Brasil tem a base, a demanda e a oportunidade. O que está em jogo é como escolher crescer: reproduzindo vulnerabilidades ou regenerando sua vocação mais potente.

Estadão
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