Lesados em investimentos em avestruzes levarão R$ 100 mi
Márcio Leijoto
Direto de Goiânia
Especial para o Terra
A Justiça Federal condenou dois filhos e um genro do falecido dono da Avestruz Master, responsável por um golpe contra cerca de 50 mil pessoas no Brasil inteiro, a pagarem R$ 100 milhões em danos às vítimas, além de 12 anos de prisão cada um em regime semiaberto. Jerson Maciel da Silva, presidente da empresa, morreu de câncer em fevereiro de 2008, aos 68 anos. O esquema, que causou um prejuízo de aproximadamente R$ 2 bilhões à economia popular, veio à tona em novembro de 2005, quando os investidores encontraram fechadas as portas da sede da empresa, em Goiânia.
Jerson Maciel da Silva Júnior e Patrícia Áurea Maciel da Silva, ambos filhos do ex-dono da Avestruz Master, e o marido de Patrícia, Emerson Ramos Correa, foram condenados pelos crimes contra o sistema financeiro, contra a economia popular e contra relações de consumo. O Terra tentou contato com os réus, que não foram encontrados.
O juiz Paulo Augusto Moreira Lima, substituto da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, absolveu os réus do crime de estelionato. Há também investigações na Polícia Federal que apuram denúncias de lavagem de dinheiro.
Segundo o procurador da República em Goiás, Daniel Rezende Salgado, autor da denúncia, o Ministério Público Federal ficou satisfeito com a condenação e agora vai esperar os próximos trâmites. Os réus têm até cinco dias para recorrerem da decisão, após a intimação. Eles estão em liberdade. A denúncia tramitava há quase quatro anos na Justiça Federal.
Os recursos para o pagamento da indenização exigida pela Justiça devem ser oriundos do patrimônio privado dos réus. Entretanto, no outro processo que tramita na Justiça Federal, o da massa falida da Avestruz Master, todos os bens da família já foram seqüestrados e leiloados para o pagamento de credores.
"Mas agora os credores que se sentiram lesados podem entrar com pedido de execução dessa indenização, só aguardar o final do trâmite. E vai das vítimas ou das associações que as representam conseguir achar os bens", disse Salgado.
Entenda o caso
Cerca de 50 mil pessoas de vários Estados caíram no golpe da Avestruz Master. A fraude era uma espécie de pirâmide: o investidor aplicava na criação e no abate de avestruzes, ganhava um certificado e meses depois podia recolher o dinheiro investido com um lucro gigante ou reaplicar o valor. Entretanto, o lucro obtido por quem decidia sacar o dinheiro vinha das outras aplicações e não da comercialização das aves.
Silva e a família usavam o dinheiro para manter fazendas e frigoríficos em Goiás e Minas Gerais, além de aumentarem o capital próprio.
Depois que a fraude foi descoberta, nenhum investidor conseguiu seu dinheiro de volta. Os recursos sequestrados pela Justiça foram suficientes para pagar os créditos trabalhistas e parte de tributos devidos ao poder público.
De acordo com o Ministério Público, o prejuízo ultrapassou a casa dos R$ 500 milhões.