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Juros futuros têm altas firmes após IPCA-15 pressionado por serviços

27 fev 2026 - 16h45
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As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira com ‌altas firmes, em especial entre os contratos de curto prazo, após a inflação pelo IPCA-15 em fevereiro ficar bem acima do projetado pelo mercado, com os preços de serviços pressionados.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,62%, em alta de 14 pontos-base ante o ajuste de 12,483% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,325%, ⁠com elevação de 4 pontos-base ante 13,287%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma ‌espécie de prévia para a inflação oficial, subiu 0,84% em fevereiro, acelerando ante os 0,20% de janeiro e bem acima da projeção mediana captada em pesquisa da Reuters com economistas, de 0,57%.

Nos 12 meses até fevereiro, ‌a taxa avançou 4,10%, acima da projeção de 3,82%.

A abertura do ‌índice também foi desfavorável, com serviços avançando de 0,15% em janeiro para 1,49% em fevereiro, conforme ⁠cálculos do banco Bmg. A taxa de serviços subjacentes passou de 0,53% para 0,66% no período, enquanto a de serviços intensivos em mão de obra foi de 0,74% para 0,66%.

"O problema foi o item passagens aéreas, que vinha surpreendendo para baixo e desta vez surpreendeu para cima", comentou o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano. "Nós esperávamos queda de 7% em passagens aéreas, mas veio alta de 11,6%."

Os preços de passagens e do grupo educação -- que ‌teve alta de 5,20% -- estiveram entre os principais responsáveis pelo descompasso entre as previsões do mercado e o resultado ‌efetivo do IPCA-15.

A média dos núcleos ⁠medidos pelo Banco Central, conforme ⁠cálculos do Bmg, foi de 0,42% para 0,65%.

"O IPCA-15 de fevereiro surpreendeu significativamente para cima, impulsionado principalmente pela alta inesperada ⁠em passagens aéreas e no seguro voluntário de veículos, o ‌que pressionou a abertura de serviços", disse ‌Mariana Rodrigues, economista da SulAmerica Investimentos, em comentário escrito.

A divulgação do IPCA-15, ocorrida na abertura do mercado de renda fixa, disparou ajustes imediatos na curva de DIs, em especial entre os contratos de curto prazo, com os agentes reagindo negativamente ao resultado.

Às 9h03, logo após o anúncio do IPCA-15, a ⁠taxa do DI para janeiro de 2028 marcou a máxima de 12,660%, em alta de 18 pontos-base ante o ajuste da véspera, com investidores reduzindo um pouco as apostas de que o Banco Central em março cortará em 50 pontos-base a taxa básica Selic, hoje em 15%.

"Mas o IPCA-15, na nossa visão, não muda o plano de voo do BC não -- ele só dá ‌uma assustada. Nosso cenário segue com corte de 50 pontos-base da Selic em março", pontuou Serrano.

Para a analista Laís Costa, da Empiricus Research, o resultado do IPCA-15 foi ruim e alterará de forma significativa as projeções ⁠para o IPCA -- o índice oficial de preços -- em fevereiro, com reflexos para o que se espera para o acumulado de 2026.

"Mas ainda estamos falando de uma inflação muito baixa, e de um nível de juros muito alto. Então, não muda em nada a perspectiva de corte de 50 pontos-base em março", avaliou Costa.

"Não consigo ver um cenário diferente de três cortes consecutivos de 50 pontos-base. Mas a perspectiva de corte de 75 pontos-base a partir de uma segunda reunião (do ciclo de reduções da Selic) sai um pouco do radar do mercado, perde força", acrescentou.

O avanço das taxas dos DIs ocorreu na contramão do recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em um dia marcado pela busca por segurança no exterior em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã.

Às 16h35, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 7 pontos-base, a 3,379%. O retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 6 pontos-base, a 3,96%.

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