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Itaú BBA corta Natura para "market perform" com perspectiva de recuperação mais lenta da receita 

9 jul 2026 - 16h25
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Analistas do Itaú BBA cortaram ‌a recomendação das ações da Natura de "outperform" para "market perform", destacando que a recuperação da receita pode levar mais tempo do que previam anteriormente. 

O movimento ocorre após a indicação pela fabricante de cosméticos na véspera de um desempenho muito mais fraco da receita das ⁠operações no Brasil no segundo trimestre. 

"A Natura Brasil continua sendo, de ‌longe, a principal geradora de lucro e caixa do grupo, tornando difícil ignorar essa desaceleração", afirma o relatório assinado por Rodrigo ‌Gastim, Vinicius Pretto e Victor Rogatis, ‌enviado a clientes no final da quarta-feira.

Eles destacaram que, embora ⁠não exista uma explicação única para o fenômeno, a discrepância entre o ganho de participação de mercado nas vendas ao consumidor final (sell-out) e a persistente fraqueza das vendas para consultoras e canais de distribuição (sell-in) segue sem solução.

Além disso, acrescentaram, problemas relacionados ao planejamento ‌de demanda e à gestão do portfólio de produtos parecem ser ‌mais relevantes do que ⁠imaginávamos inicialmente.

De acordo ⁠com os analistas, a concorrência de canais alternativos continua se intensificando, oferecendo ⁠às consultoras muito mais opções ‌para direcionar seus gastos ‌e esforços comerciais do que há alguns anos.

"Combinado aos desafios de administrar uma base de consultoras cada vez mais omnicanal... acreditamos que a recuperação da receita pode levar mais tempo ⁠do que prevíamos anteriormente", afirmaram. 

A venda direta ainda responde por cerca de 85% da receita da Natura Brasil.

A equipe do Itaú BBA também destacou que não identificou muitos fatores extraordinários ou pontuais que expliquem a fraqueza observada ‌no segundo trimestre.

"Mesmo que a execução melhore daqui para frente, a recuperação provavelmente será gradual, mantendo os resultados sob pressão por ⁠pelo menos mais alguns trimestres", acrescentaram.

Na quarta-feira, a Natura divulgou estimativa de receita líquida entre R$5,1 bilhões e R$5,2 bilhões para o segundo trimestre, uma queda entre 9% e 10% ante o mesmo período do ano passado.

A empresa afirmou que o ambiente de consumo desaquecido no Brasil, somado a desafios e ajustes operacionais internos, pressionou as vendas no país em uma magnitude maior do que a inicialmente prevista.

As ações fecharam a quarta-feira com alta de 5,6%, mas recuavam mais de 1% na tarde desta quinta-feira, acumulando nos primeiros pregões do mês um declínio de quase 4%. 

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