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IPCA tem em março maior alta em cerca de 1 ano sob pressão do conflito no Oriente Médio

10 abr 2026 - 09h07
(atualizado às 09h54)
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Os preços de Transportes e Alimentação pressionaram a inflação ao consumidor no Brasil, que atingiu em março a taxa mais alta em cerca de um ano, em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, levando o índice em 12 meses para mais perto do teto da meta.

O Índice Nacional de ⁠Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em março alta de 0,88%, depois de ter subido ‌0,70% em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Esse foi o resultado mensal mais alto desde fevereiro de 2025, quando ‌a taxa foi de 1,31%.

Nos 12 meses até março, ‌o IPCA acumulou avanço de 4,14%, de 3,81% no mês anterior. ⁠A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Assim, o teto da meta é de 4,50%.

Os resultados ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,77% no mês e de 4,0% em 12 meses.

O Banco Central decidiu em ‌março cortar a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75%, pregando cautela ‌diante da guerra no Oriente ⁠Médio. A autoridade ⁠monetária a volta se reunir no final deste mês.

A guerra entre Estados Unidos e Israel ⁠contra o Irã vem provocando preocupações sobre ‌a inflação diante das altas ‌nos preços globais do petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Na semana passada, a Petrobras anunciou reajuste de 54,8% nos preços do querosene de aviação para abril.

"Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente ⁠o efeito das incertezas no cenário internacional", disse o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves.

Em março, os preços dos grupos Transportes e Alimentação e bebidas responderam juntos por 76% do IPCA.

O grupo Transportes avançou no mês 1,64%, com destaque para a alta de 4,59% da ‌gasolina. Outras altas foram registradas em passagem aérea (6,08%) e diesel (13,90%), embora com menos impacto devido aos menores pesos desses subitens no índice geral.

Já Alimentação e bebidas ⁠subiu 1,56%, sob os pesos das altas de leite longa vida (11,74%) e tomate (20,31%).

"No grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022, combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros", disse Gonçalves.

A inflação de serviços, por sua vez, desacelerou em março, chegando a 0,53%, de 1,51% no mês anterior.

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, subiu em março para 67%, de 61% em fevereiro.

A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 4,36% em 2026, indo a 3,85% em 2027.

(Edição de Fabrício de Castro)

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