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IPCA-15 sobe mais que o esperado em maio por energia e alimentos e supera teto da meta em 12 meses

27 mai 2026 - 09h15
(atualizado às 10h34)
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O IPCA-15 subiu mais do que o esperado em maio e ‌atingiu o nível mais alto para o mês em 10 anos, sob pressão dos preços de energia elétrica e alimentos, com a taxa em 12 meses superando o teto da meta do Banco Central.

Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,62%, taxa mais alta para o mês desde 2016, quando foi de 0,86%. O resultado mostrou desaceleração ante a taxa de 0,89% em abril, mas superou a expectativa de economistas levantada em pesquisa da Reuters de avanço de 0,53%.

Os dados ⁠divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, nos 12 meses até maio, o índice passou a ‌acumular alta de 4,64%, de 4,37% no mês anterior e expectativa de 4,55%.

Com isso, a taxa supera o teto da meta perseguida pelo BC -- 3,0% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual -- pela primeira vez no ano. Em janeiro, o ‌IPCA-15 subiu exatamente 4,5% no acumulado em 12 meses.

"O IPCA-15 de maio veio ‌acima das expectativas do mercado, mostrando que o processo de desinflação no Brasil segue lento e cheio de desafios. ⁠Apesar de uma desaceleração na comparação com abril, reforça que a inflação continua bastante disseminada, principalmente em alimentos e serviços", destacou Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores).

O Banco Central reduziu a Selic a 14,5% em abril, mas pregou cautela para os próximos passos diante das incertezas provocadas pelo conflito. A autoridade monetária volta a se reunir neste mês para discutir a política monetária.

"A desaceleração do IPCA-15 é bem-vinda, mas não é suficiente para trazer maior tranquilidade ao Copom para a condução ‌da política monetária", avaliou André Valério, economista sênior do Inter. "O contexto ainda é muito influenciado pelos choques de oferta, seja do petróleo, ‌seja do clima, situação que deve continuar ⁠pressionada nos próximos meses com a ⁠elevada probabilidade de ocorrência de um El Niño forte, que deve pressionar os preços de alimentos e energia elétrica."

Em maio, os grupos Alimentação e ⁠Bebidas e Habitação se destacaram com altas respectivamente de 1,38% e 1,03% ‌sobre o mês anterior.

O avanço da alimentação ‌no domicílio desacelerou a 1,73%, de 1,77% em abril. Apresentaram altas a batata-inglesa (26,29%), o tomate (12,97%), o leite longa vida (6,07%) e carnes (1,98%). Por outro lado houve quedas em maçã (-2,32%) e do café moído (-2,09%).

Já a energia elétrica residencial subiu 2,16% em maio e exerceu o maior impacto individual no IPCA-15 do mês, quando passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, com cobrança ⁠adicional de R$1,885 a cada 100kWh consumidos. Desde janeiro, a bandeira adotada era a verde, sem cobranças adicionais.

Transportes foi o único grupo com resultado negativo, com deflação de 0,33%, com os custos dos combustíveis passando a cair 1,47% após alta de 6,06% em abril. O etanol registrou queda de 2,73%, o óleo diesel caiu 2,04% e a gasolina recuou 1,32%. Já o gás veicular teve alta de 2,12% e as passagens aéreas aumentaram 3,25%.

Os preços ‌internacionais do petróleo subiram em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz diante da guerra entre Estados Unidos e Irã, mas em meados de maio o governo anunciou medida provisória com novas ações para reduzir a pressão do conflito sobre os ⁠combustíveis no Brasil, incluindo a gasolina, e estendendo um plano de subsídio do diesel.

Segundo fontes, a definição pela equipe econômica do governo de conceder uma subvenção de R$0,44 por litro de gasolina abre caminho para a Petrobras realizar um reajuste no combustível sem gerar impactos relevantes para consumidores.

A inflação de serviços segue como ponto de atenção. Nas contas de Leonel de Oliveira Mattos, especialista em inteligência de mercados da StoneX, tanto o núcleo do IPCA-15 -- que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia -- quanto os preços de serviços subiram 0,46%.

"O cenário reforça uma percepção de pressão inflacionária mais persistente e disseminada no país. As pressões de preço inicialmente ligadas ao setor energético, impulsionadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelas preocupações com a oferta global de petróleo, começam a se espalhar para outros segmentos da economia", disse.

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção para o IPCA este ano é de alta de 5,04%, e de 4,01% em 2027. A expectativa é de que a Selic termine 2026 em 13,25%.

O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.

(Edição de Isabel Versiani)

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