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Investidores avaliam implicações de possível saída antecipada de Lagarde do BCE

18 fev 2026 - 10h38
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Operadores de mercado tentavam entender nesta quarta-feira ‌o que a possível saída antecipada da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, de seu cargo pode significar para a política monetária futura.

Por enquanto, eles mantiveram as apostas de que o segundo maior banco central do mundo manteria a política monetária inalterada este ano, mas alguns analistas afirmaram que uma saída antecipada por motivos políticos não seria boa para a reputação do banco.

O Financial Times informou que Lagarde planeja ⁠deixar o cargo antes do fim de seu mandato de oito anos, em outubro de 2027. Ela ainda ‌não decidiu a data, mas indicou que o atual presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, devem ser os principais responsáveis pela escolha de seu sucessor.

Um porta-voz do BCE disse que ‌Lagarde está focada em seu trabalho e não tomou nenhuma decisão ‌sobre o fim de seu mandato.

A notícia dá novo impulso à corrida para suceder Lagarde e ⁠traz uma potencial incerteza ao BCE, que os mercados esperam que mantenha as taxas de juro em 2% durante um período prolongado.

Mas analistas e investidores afirmaram que uma saída antecipada de Lagarde teria pouco impacto nos mercados financeiros no futuro imediato, com a inflação sob controle e os substitutos mais prováveis seguindo uma linha política semelhante.

"Não acho que a possível saída de Lagarde aumente significativamente a incerteza do mercado... Não ‌é como na era (Mario) Draghi, em que políticas criativas e não convencionais eram uma característica constante", disse Ross Hutchison, ‌chefe de estratégia de mercado da ⁠zona do euro do ⁠Zurich Insurance Group.

"O BCE está em uma boa posição... Isso reduz os riscos imediatos de uma mudança na liderança."

As expectativas ⁠dos operadores em relação às taxas de juros praticamente não ‌se alteraram nesta quarta-feira, com os ‌mercados ainda esperando que o BCE mantenha as taxas em vez de fazer outro corte até o final do ano.

O rendimento dos títulos de dois anos da Alemanha, que é sensível às expectativas de taxas de juros, permaneceu inalterado em cerca de 2,06%, assim como o rendimento de 10 ⁠anos, em 2,75%.

O euro caiu apenas 0,1%, para US$ 1,184.

MERCADOS RELAXADOS COM MUDANÇA NO BCE

Lagarde assumiu um papel mais moderador entre seus pares em comparação com seu antecessor Draghi e os investidores estão avaliando se isso continuaria sob um sucessor, com o ex-chefe do banco central da Espanha, Pablo Hernández de Cos, e Klaas Knot, ex-chefe do banco central holandês, em ‌foco como os principais candidatos.

Frederik Ducrozet, chefe de pesquisa macroeconômica da Pictet Wealth Management, disse que Knot era visto como um "falcão pragmático" e De Cos como mais "dovish" (de postura mais suave no combate à inflação), ⁠mas que ambos apresentavam perfis equilibrados, o que garantiria a continuidade da política.

Andrzej Szczepaniak, economista sênior europeu da Nomura, enfatizou que o BCE toma decisões políticas por meio da construção de consenso. "É improvável que quem substituir Lagarde mude ou altere radicalmente a forma como o BCE funciona."

Alguns analistas afirmaram que a reputação do BCE poderia ser prejudicada se fosse visto como negando aos novos governos uma palavra a dizer na escolha de um poderoso responsável econômico.

Macron, da França, não pode concorrer a um terceiro mandato e as eleições presidenciais francesas na primavera de 2027 podem levar o partido de extrema direita Reunião Nacional ao poder.

A notícia sobre Lagarde surge depois de o presidente do banco central francês, François Villeroy de Galhau, ter decidido no início de fevereiro demitir-se antecipadamente para permitir que Macron nomeasse o seu substituto.

Lagarde "pode ter intenções honrosas -- proteger o BCE da pressão política populista --, mas essa decisão seria difícil de justificar", disse Ducrozet, da Pictet Wealth Management.

"Não tenho certeza se vale a pena correr esse risco."

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