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Interrupção de Ormuz deve frear comércio de GNL em 2026, demanda deve crescer até 2050, diz Shell

30 jun 2026 - 09h36
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As interrupções ‌no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, decorrentes da guerra no Irã, podem manter o comércio global de gás natural liquefeito (GNL) estável neste ano, caso os fluxos voltem ao normal nos próximos três meses, afirmou a Shell nesta terça-feira, embora a empresa preveja que o crescimento seja retomado em 2027 e que a demanda aumente acentuadamente até 2050.

A grave interrupção no tráfego de navios-tanque pela importante via no ⁠Oriente Médio interrompeu cerca de um quinto do fornecimento mensal global de GNL desde o início do ‌conflito. A gigante do setor de energia Shell esperava que o comércio de GNL, que atingiu 422 milhões de toneladas métricas em 2025, aumentasse em 2026.

A Shell, no entanto, espera que a demanda global ‌por GNL ainda aumente em cerca de 65% até 2050, ‌impulsionada principalmente pela Ásia, à medida que os países buscam alternativas de menor emissão ao ⁠carvão e os data centers aumentam a demanda por energia, de acordo com a perspectiva anual da empresa para o GNL.

A demanda global provavelmente chegará a quase 700 milhões de toneladas por ano até essa data, afirmou a maior comercializadora mundial do combustível.

"O conflito causou um choque em todo o sistema, com perturbações se espalhando por todos os segmentos da economia, mas o setor de GNL se mostrou ‌resiliente e capaz de se adaptar às mudanças nas condições de mercado", afirmou Cederic Cremers, presidente de gás ‌da Shell, no relatório.

A empresa afirmou ⁠que o recente crescimento ⁠na oferta de GNL e na infraestrutura de regaseificação melhorou a resiliência do mercado e ajudou a limitar o ⁠impacto das interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.

Além ‌disso, a ampliação de novas ‌instalações de liquefação na América do Norte, o melhor desempenho das usinas existentes e a desaceleração das importações asiáticas de GNL ajudaram a compensar a redução na oferta proveniente do Oriente Médio.

A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã perturbou as perspectivas globais do GNL, ⁠elevando os preços, danificando as instalações de exportação do Catar e atrasando novos suprimentos, o que gerou dúvidas quanto à demanda por parte dos compradores asiáticos, sensíveis aos preços. Analistas esperam que os preços mais altos reduzam a demanda do Sul da Ásia, com os compradores recorrendo a fontes alternativas de GNL ou mudando para carvão e gás doméstico.

NECESSIDADE ‌DE NOVOS INVESTIMENTOS

Prevê-se que cerca de 180 milhões de toneladas por ano de nova oferta de GNL entrem no mercado até 2030, melhorando a disponibilidade e a acessibilidade do gás e abrindo espaço ⁠para a demanda em novos mercados.

As projeções indicam que o Sul e o Sudeste Asiático serão responsáveis por cerca de 40% das importações globais de GNL até 2050, à medida que os países buscam alternativas de menor emissão ao carvão para atender à demanda energética em rápido crescimento.

Em mercados asiáticos mais maduros, como o Japão, os data centers estão surgindo como uma nova fonte de demanda por energia, segundo o relatório.

No entanto, na China, o maior importador mundial de GNL, a Shell espera que as importações de GNL se moderem, mesmo com a demanda por gás em constante crescimento, prevendo uma queda nas importações anuais de GNL neste ano devido ao conflito com o Irã.

O GNL também continuará a desempenhar um papel fundamental na segurança energética europeia e ajudará a equilibrar a geração intermitente de energia renovável à medida que a produção doméstica de gás diminui, afirmou a Shell.

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