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Insumo sustentável, eficaz e viável em larga escala ainda é desafio no Brasil, diz CEO da Nivea

Para Ana Bógus, COP-30 pode ser um 'catalisador estratégico' para a indústria de cuidados pessoais pelo potencial de ampliar debates sobre acesso a ingredientes de menor impacto ambiental

20 jun 2025 - 12h10
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Falta ainda um semestre até a realização da 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30), mas temas que há anos são desafiadores para a indústria de cuidados pessoais no Brasil podem encontrar no evento caminhos para uma resolução. A expectativa é da presidente da Beiersdorf no Brasil, Ana Bógus. A empresa é responsável pelas marcas Nivea e Eucerin.

Para Bógus, a COP-30 tem potencial para ser um "catalisador estratégico" para o setor no mercado brasileiro, ampliando debates sobre economia circular, além de impulsionar políticas de acesso a matérias-primas de menor impacto ambiental. Atualmente, segundo a gestora, o cenário ainda é menos favorável para isso, com altos custos de insumos sustentáveis e com infraestrutura limitada para reciclagem.

"É preciso avançar na gestão global de resíduos e na economia circular, com compromissos mais firmes para reduzir o uso de plásticos, e ampliar a infraestrutura de reciclagem, especialmente em países como o Brasil", avalia. "No País, nosso desafio é encontrar ingredientes alternativos que sejam sustentáveis, eficazes e viáveis em larga escala, pois ainda há barreiras na ampliação do acesso a esses insumos, especialmente em relação à cadeia de fornecimento e à escalabilidade da produção."

Ana Bógus é presidente da Beiersdorf no Brasil, empresa responsável pelas marcas Nivea e Eucerin
Ana Bógus é presidente da Beiersdorf no Brasil, empresa responsável pelas marcas Nivea e Eucerin
Foto: Beiersdorf/Divulgação / Estadão

A empresa dirigida por Bógus eliminou microplásticos das fórmulas da Nívea em 2021 e da Eucerin em 2023. Segundo a gestora, a companhia tem buscado substituir esses ingredientes sintéticos por alternativas biodegradáveis, como microesferas de jojoba ou óleo de rícino hidrogenado. Insumos como celulose vegetal, gomas naturais e ceras de origem vegetal também vêm sendo utilizados para minimizar o impacto ambiental nos produtos cosméticos.

Abaixo os principais trechos da entrevista:

A sra. passou por cargos de liderança em empresas de diversos setores no mercado brasileiro. Na sua percepção como gestora, como o tema da sustentabilidade tem se conectado com os negócios no Brasil ao longo desses anos?

Ao longo dos anos, tenho percebido que a sustentabilidade tem evoluído para estar realmente integrada com a estratégia dos negócios. Ainda há desafios no Brasil, como a falta de padronização em métricas e grandes diferenças entre setores, mas é visível que empresas que incorporam práticas sustentáveis conseguem gerar valor de forma mais consistente. Temas como mudanças climáticas, inclusão social e governança têm ganhado espaço nas discussões de risco, de inovação, e estão tendo relevância na decisão dos consumidores.

Estando agora à frente de uma empresa de produtos de cuidados pessoais, a sra. percebe demandas diferentes dentro do tema ESG em relação aos demais setores onde atuou?

O setor de cuidados pessoais tem particularidades importantes dentro da agenda ESG, especialmente no que diz respeito à sustentabilidade das embalagens, dos ingredientes e à responsabilidade nas cadeias de suprimentos. É um setor diretamente ligado à saúde e bem-estar das pessoas, e isso traz uma expectativa de que as marcas assumam um papel ativo na redução do impacto ambiental. Esse papel inclui o desenvolvimento de fórmulas mais sustentáveis, o uso de materiais recicláveis e a implementação de iniciativas de economia circular. O impacto social também é central nesse setor. Os consumidores esperam que as marcas representem a diversidade de forma autêntica, promovam a inclusão e ampliem a acessibilidade aos seus produtos, especialmente em relação à equidade racial e de gênero, já que a beleza impacta diretamente a autoestima e identidade das pessoas. Já na governança, está crescendo a expectativa por transparência, compliance e respeito aos direitos humanos em toda a cadeia. Isso inclui relações éticas com fornecedores, condições de trabalho justas e práticas responsáveis. Na Beiersdorf, mais direcionado a temas de meio ambiente, temos um compromisso global, publicado em órgãos oficiais, de nos tornarmos net zero até 2045. Para alcançar esse objetivo, algumas de nossas iniciativas incluem a redução das emissões de carbono, o uso de materiais recicláveis nas embalagens e a implementação de práticas de economia circular.

Como tem sido o trabalho para evitar o uso de microplásticos em produtos como esfoliantes e géis de banho, e também o trabalho para encontrar materiais alternativos? É fácil encontrar esses materiais alternativos no Brasil?

No Brasil, nosso desafio é encontrar ingredientes alternativos que sejam sustentáveis, eficazes e viáveis em larga escala, pois ainda há barreiras na ampliação do acesso a esses insumos sustentáveis, especialmente em relação à cadeia de fornecimento e à escalabilidade da produção. Eliminamos os microplásticos das fórmulas da Nivea em 2021 e de Eucerin em 2023, como prevenção à poluição dos oceanos. Um marco foi o lançamento, em 2021, da linha Nivea Naturally Good com impacto climático neutralizado em cerca de 30 países. As fórmulas da linha são particularmente sustentáveis, são feitas de 99% de ingredientes naturais e veganos e são livres de microplásticos.

E quais são as alternativas aos microplásticos utilizadas?

A Nivea tem buscado substituir os microplásticos por alternativas mais sustentáveis e biodegradáveis, como microesferas de jojoba ou óleo de rícino hidrogenado. Vem sendo utilizado também ingredientes como sílica, celulose vegetal, gomas naturais e ceras de origem vegetal para manter a eficácia dos produtos sem causar impacto ambiental.

Para o setor de cuidados pessoais, quais avanços ainda são necessários no mercado brasileiro para serem atingidos objetivos mais ambiciosos da agenda verde?

O setor tem avançado em sustentabilidade no Brasil, mas ainda enfrenta desafios. Um dos principais é a infraestrutura de reciclagem, essencial para o reaproveitamento eficaz das embalagens. Também é preciso evoluir na regulamentação ambiental, com políticas que incentivem materiais alternativos e embalagens inovadoras. Outro ponto-chave é a conscientização do consumidor, pois com o aumento da demanda por produtos sustentáveis, cabe à indústria oferecer soluções ecológicas sem comprometer a qualidade, e comunicar melhor suas escolhas. Toda a indústria precisa avançar na mesma direção para gerar impacto real, investindo em inovação, parcerias estratégicas e soluções escaláveis. A colaboração entre empresas, governo e sociedade é fundamental para construirmos um futuro mais sustentável.

Quais desses temas que precisam avançar a sra. gostaria que fosse um foco da COP-30?

É preciso avançar na gestão global de resíduos e na economia circular, com compromissos mais firmes para reduzir o uso de plásticos e ampliar a infraestrutura de reciclagem, especialmente em países como o Brasil. A agenda climática global também deve priorizar a transição energética e a descarbonização das cadeias de suprimentos, com foco nas emissões de escopo 3 (emissões de dióxido de carbono de origem indireta).

A Nivea irá participar do evento ou interagir de alguma forma com a COP-30?

Não teremos uma participação ativa na COP-30, mas acompanharemos de perto as discussões e desdobramentos do evento. Como uma marca comprometida com a sustentabilidade, estamos sempre atentos às tendências e avanços da agenda climática global, buscando formas de fortalecer nossas iniciativas em alinhamento com as melhores práticas do setor.

Quais oportunidades um evento deste porte pode trazer para o setor de cuidados pessoais no Brasil?

A COP-30 tem potencial para ser um catalisador estratégico para o setor de cuidados pessoais no Brasil, ao ampliar debates sobre economia circular, inovação sustentável e biodiversidade. O evento pode impulsionar políticas que facilitem o acesso a matérias-primas de menor impacto e incentivem a inovação local, superando desafios como os altos custos de insumos sustentáveis e a infraestrutura limitada para reciclagem. Além disso, (o evento pode reforçar) a necessidade de maior rastreabilidade e transparência nas cadeias produtivas, respondendo à crescente demanda por produtos éticos e responsáveis.

Estadão
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