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Influenciadores da Geração Z dizem que são 'mais exigentes' no trabalho e rejeitam estereótipos

Jovens criadores de conteúdo compartilharam as angústias, os desafios e as oportunidades nas redes sociais, em painel sobre carreira na internet no Summit Mulheres nas Profissões

5 ago 2026 - 18h28
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"Sempre ouço falar que a Geração Z não gosta de trabalhar, mas somos mais exigentes e não aceitamos o que nossos pais passaram", afirmou a influenciadora Jully Molinna, de 20 anos, sob aplausos e gritos de jovens que a escutavam atentamente no Summit Mulheres nas Profissões nesta quarta-feira, 5.

Além de Jully, que soma mais de 27 milhões de seguidores nas redes sociais, a conversa reuniu a atriz Ana Hikari, primeira atriz asiática a integrar o elenco de uma novela da Globo, e a empreendedora e ativista indígena Naiá Tupinambá, CEO da BND Digital, considerada a primeira agência de marketing digital fundada por mulheres indígenas no mundo.

Diante de uma plateia majoritariamente formada por jovens, o trio rebateu rótulos atribuídos à Geração Z, como falta de compromisso e resistência ao trabalho, além dos desafios de ter a internet como profissão e principal fonte de renda.

Aos 20 anos, 'um dinossauro da internet'

Embora tenha apenas 20 anos, Jully se intitula como "um dinossauro da internet". Desde os 13 anos nas redes sociais, nunca chegou a ter experiência em um emprego CLT. Mesmo com o público consolidado, ponderou que formar comunidades não é fácil, viver da internet exige mais que "gravar vídeos".

"Nós geramos empregos, cocriamos com marcas. É um ecossistema", defendeu. Nem tudo são flores, contou a influenciadora. "Um vídeo viral traz muitas pessoas, mas não é tudo", afirmou. Na avaliação de Jully, o mercado ainda supervaloriza métricas como quantidade de seguidores.

Jully Molina, de 20 anos, soma mais de 27 milhões de seguidores nas redes sociais
Jully Molina, de 20 anos, soma mais de 27 milhões de seguidores nas redes sociais
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Com receio da volatilidade do mercado digital, as painelistas compartilharam que muitos influenciadores têm investido na criação de empresas, produtos e marcas próprias por reconhecer a instabilidade da profissão.

"Embora a internet seja promissora, não sabemos o dia de amanhã." Uma das alternativas é diversificar fontes de receita para reduzir a dependência da monetização das plataformas e dos contratos publicitários, disseram.

"Precisamos encontrar formas de nos capitalizar para não depender só de números, seguidores e publis, porque a internet é incerta", sugeriu Jully.

Jovens descartam modelo de trabalho tradicional

Mesmo com a falta de segurança financeira da carreira na internet, as painelistas disseram que a Geração Z não aceita trabalhos exaustivos e sem flexibilidade. "Estamos questionando a escala 6x1 e outras opressões de trabalho. A Gen Z está dizendo que isso não serve, então fala mesmo e vai embora", ressaltou a atriz Ana Hikari.

A atriz Ana Hikari diz estar 'cansada de ser pioneira' como uma das únicas asiáticas na TV e não quer 'ser a única' a ocupar esses espaços no audiovisual
A atriz Ana Hikari diz estar 'cansada de ser pioneira' como uma das únicas asiáticas na TV e não quer 'ser a única' a ocupar esses espaços no audiovisual
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Naiá Tupinambá também reclamou da falta de diversidade ao pautar os jovens. A ativista disse que a geração é retratada como um grupo homogêneo, ignorando diferenças culturais, territoriais e étnicas.

"Quando falamos de Geração Z, a gente fala de uma geração muito universal, mas não fala da diversidade que temos", questionou. Para Naiá, ainda existe o desafio de superar a baixa representatividade de influenciadores indígenas em campanhas publicitárias.

Naiá Tupinambá criou a primeira agência de marketing digital fundada por mulheres indígenas no mundo
Naiá Tupinambá criou a primeira agência de marketing digital fundada por mulheres indígenas no mundo
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Durante a conversa, ela relembrou os ensinamentos do avô, que diz nunca ter exercido apenas uma profissão. "Meu avô dizia que não fazia uma coisa só. Era pescador, caçador..." Naiá revela que se viu na versatilidade do avô, que dialoga com o comportamento de outros jovens com diferentes ocupações e projetos, incluindo a carreira na internet.

A atriz Ana também concorda com o perfil mais disruptivo da Geração Z. "Jamais me escondi ou tive medo de falar das pautas importantes, sobre ser mulher ou uma pessoa racializada", revelou.

A atriz, que também falou sobre sua bissexualidade, avaliou que uma das características da Geração Z é a disposição para romper padrões. "Não temos medo de ser transgressores", afirmou, sob aplausos dos jovens.

Estadão
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