Inflação na zona do euro ainda exige apenas uma resposta moderada do BCE, diz Lagarde
Apesar de a inflação na zona do euro poder chegar a 4%, o dobro da meta, a presidente do BCE, Christine Lagarde, defendeu uma resposta moderada nos juros, refutando apostas agressivas do mercado. Segundo ela, a alta é puxada pela energia e não se tornou estrutural nem pressionou salários. Lagarde também alertou contra subsídios fiscais excessivos que prolongam a inflação, mas manteve o otimismo com a economia, citando a força do mercado de trabalho e da manufatura.
O aumento da inflação neste ano ainda não gerou efeitos secundários perigosos em toda a zona do euro, portanto uma resposta moderada do Banco Central Europeu (BCE) continua sendo a reação apropriada, afirmou a presidente do BCE, Christine Lagarde, nesta segunda-feira.
A inflação na zona do euro já ultrapassou os 3% e pode se aproximar dos 4% até o final do ano — o dobro da meta do banco —, alimentando apostas do mercado de que serão necessários até mais quatro aumentos nas taxas de juros no próximo ano, além das duas altas durante o verão no hemisfério norte.
Lagarde, no entanto, pareceu refutar algumas das apostas mais agressivas do mercado, argumentando que a alta nos preços do petróleo e do gás, decorrente do conflito entre os EUA e o Irã, é o principal fator por trás do aumento dos preços.
"Prevemos uma inflação mais alta à frente, mas ainda não há sinais de que ela esteja se tornando estrutural", disse ela em uma audiência perante uma comissão do Parlamento Europeu em Bruxelas. "Não vemos, nesta fase, evidências de que os preços da energia estejam levando a salários mais altos."
"Isso significa que, embora o choque seja grande demais para ser ignorado, consideramos uma resposta moderada adequada para manter a inflação sob controle", acrescentou ela.
Lagarde reconheceu que os riscos apontam para uma inflação mais elevada e que também há o risco de os governos oferecerem subsídios generosos para ajudar a proteger os consumidores contra os custos mais altos da energia.
O apoio fiscal aumentou agora para cerca de 0,1 ponto percentual do PIB da zona do euro, e as medidas foram muito menos temporárias ou direcionadas do que se esperava, disse Lagarde.
O efeito coletivo dessas medidas terá um impacto de aproximadamente 0,1% sobre a inflação, acrescentou ela.
A questão é que, embora os subsídios ajudem a reduzir a inflação no curto prazo, eles muitas vezes prolongam a inflação por um período mais longo e elevam os gastos fiscais, causando problemas mais duradouros.
Embora Lagarde não tenha detalhado o que entende por uma "resposta moderada", economistas afirmam que os dois primeiros aumentos da taxa de juros, com intervalo de três meses entre si, são um bom indicador.
É por isso que muitos economistas acreditam que o BCE não tomará medidas em sua reunião de 29 de outubro e só aumentará as taxas em dezembro, quando novas projeções forem divulgadas.
Essas opiniões foram reforçadas nesta segunda-feira, quando Lagarde repetiu sua mensagem anterior de que as taxas de juros não acompanharão de forma sincronizada os custos da energia.
Quanto à economia, Lagarde manteve-se otimista, argumentando que o setor manufatureiro apresenta um desempenho sólido, o mercado de trabalho continua robusto e os investimentos também devem apoiar o crescimento.
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