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Inflação em linha nos EUA reforça corte de juros em setembro, mas serviços e tarifas preocupam

Até o Morgan Stanley, que descartava mudança nas taxas neste ano até então, se rendeu ao modo 'dovish', ou seja, inclinado à flexibilização monetária

29 ago 2025 - 18h00
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NOVA YORK - Novos dados sobre a inflação nos Estados Unidos em julho reforçaram as expectativas de Wall Street de que o Federal Reserve (Fed) vai voltar a cortar os juros em setembro. Até o Morgan Stanley, que descartava mudança nas taxas neste ano até então, se rendeu ao modo 'dovish', ou seja, inclinado à flexibilização monetária. O setor de serviços, porém, voltou a decepcionar, e as tarifas deixam incerta a perspectiva de curto prazo para o consumidor americano, segundo economistas.

Medida de inflação preferida do Fed, o índice de preços de gastos com consumo (índice de preços do PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,2% em julho ante junho e 2,6% em 12 meses. O núcleo, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,3% e 2,9%, respectivamente. Em ambos os casos, os números vieram em linha com as projeções de Wall Street.

No discurso em Jackson Hole, há uma semana, o presidente do Fed, Jerome Powell, havia citado previsões de mercado que coincidiram com os dados do PCE. "Os efeitos das tarifas nos preços ao consumidor agora são claramente visíveis. Esperamos que esses efeitos se acumulem nos próximos meses, com grande incerteza quanto ao momento e ao tamanho do impacto", alertou ele, na ocasião.

Para o economista-chefe do Santander para os EUA, Stephen Stanley, a perspectiva de curto prazo para o consumidor americano é incerta diante do esperado efeito do tarifaço do presidente Donald Trump. "Espero que os aumentos de preços relacionados a tarifas se propaguem pela cadeia de bens em breve e, quando isso acontecer, espero que os consumidores recuem", diz.

Essas incertezas reverberam na confiança do americano. O índice de sentimento do consumidor nos EUA, elaborado pela Universidade de Michigan, caiu de 61,7 em julho para 58,2 em agosto.

Apesar disso, os dados do PCE reforçaram as expectativas de Wall Street quanto à retomada dos cortes de juros pelo Fed na reunião de setembro. A última vez que o BC dos EUA baixou as taxas foi em dezembro de 2024. As chances de um novo corte em setembro eram de 86,9% no início da tarde desta sexta-feira, em linha com o nível de ontem, mostra levantamento da plataforma CME Group.

O Morgan Stanley alterou seu cenário para os juros nos EUA e agora prevê dois cortes nas taxas ainda em 2025. Antes, o banco projetava que o Fed manteria o nível atual ao longo do ano. "Após os comentários de Powell, em Jackson Hole na semana passada, incluímos dois cortes de 0,25 ponto neste ano, em setembro e dezembro", escrevem os economistas do Morgan Stanley, liderados por Michael T. Gapen, em relatório a clientes.

Conforme eles, a principal razão para a mudança do cenário é o maior peso que o Fed passou a dar para o risco de piora no mercado de trabalho após o relatório payroll de julho, que ficou bem abaixo das expectativas e foi acompanhado por revisão de 258 mil para baixo nos dois meses anteriores. Powell afirmou em Jackson Hole que o dado aumentou a preocupação do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) com a demanda por trabalhadores na maior economia do mundo, o que foi interpretado no mercado como 'portas abertas' para um corte em setembro, levando bancos e consultorias a revisar seu cenário para os juros nos EUA.

Na próxima semana, serão conhecidos dados do mercado de trabalho americano em agosto. Uma nova leitura fraca poderia cravar o corte de juros nos EUA em setembro pelo Fed, segundo economistas ouvidos pela Broadcast. O Bank of America prevê a criação de 60 mil vagas. Em julho, os EUA criaram 73 mil novos empregos, patamar bem abaixo da mediana de 101 mil, conforme o Projeções Broadcast.

Serviços preocupam

Na visão de Stanley, do Santander, o aspecto mais preocupante dos dados do PCE de julho é que o aumento de 0,3% frente a junho ocorreu principalmente nas categorias de serviços do núcleo do indicador, e não como resultado de uma inflação temporária impulsionada por tarifas. Isso dificulta a visão de que os preços caminham rumo à meta do Fed, de 2% ao ano, segundo ele.

"O aumento nos preços do núcleo do PCE em julho foi inteiramente devido a um aumento nos preços dos serviços do núcleo, sendo mais uma evidência de que as tarifas estão tendo impacto mínimo nos preços dos bens", reforça o economista da Capital Economics, Harry Chambers.

Tanto é que os consumidores americanos continuam antevendo piora da inflação à frente, mas em menor grau. A pesquisa da Universidade de Michigan mostrou que as expectativas para o indicador em 12 meses avançaram de 4,5% em julho para 4,8% em agosto, mas vieram ligeiramente abaixo da leitura preliminar, de 4,9%. No horizonte de cinco anos, subiram de 3,4% para 3,5% e também ficaram aquém do dado anterior, de 3,9%.

Para a britânica Pantheon Macroeconomics, o ambiente do mercado de trabalho mais brando nos EUA deve conter as pressões no setor de serviços. "O recente arrefecimento do mercado de trabalho sugere que as perspectivas para a inflação de serviços são benignas", diz, em relatório a clientes. Bem 'dovish', a casa espera que o Fed corte os juros em 0,75 ponto porcentual neste ano e faça outra redução da mesma proporção em 2026.

Estadão
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