Inflação ao consumidor dos EUA deve ter aumentado ainda mais em abril em meio à guerra no Irã
Os preços ao consumidor dos Estados Unidos provavelmente subiram em abril em um ritmo sólido pelo segundo mês consecutivo, o que resultaria no maior aumento anual da inflação em mais de dois anos e meio e reforçaria ainda mais as expectativas de que o Federal Reserve vai manter a taxa de juros inalterada por algum tempo.
O relatório do índice de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho, a ser divulgado nesta terça-feira, também deve mostrar uma aceleração na taxa de inflação subjacente mensal, embora isso se deva a um ajuste único nas medidas de aluguel depois que a paralisação do governo federal no ano passado impediu a coleta de dados.
Esse resultado viria na esteira de notícias da semana passada de uma criação de vagas fora do setor agrícola maior do que o previsto em abril. A guerra entre os EUA e Israel com o Irã elevou os preços do petróleo, o que se refletiu imediatamente nos custos mais altos da gasolina, do diesel e do combustível de aviação. Economistas acreditam que os efeitos secundários serão sentidos nos próximos meses. Os mercados financeiros esperam que o banco central dos EUA mantenha os juros até 2027.
Leituras consecutivas de inflação forte aumentariam o risco político para o presidente Donald Trump e seu partido Republicano antes das eleições de meio de mandato de novembro. Trump venceu a reeleição em 2024 em grande parte por causa de sua promessa de reduzir a inflação, mas os norte-americanos não gostaram de sua maneira de lidar com a economia e muitos o culpam pelos preços nas bombas de combustível.
"As pessoas agora estão percebendo que o discurso que receberam sobre a redução do custo de bens e serviços é um conto de fadas", disse Brian Bethune, professor de economia do Boston College. "Elas estavam basicamente pisando na água com o nariz um pouco acima da superfície e agora estão sendo puxadas para baixo da superfície. Não há ar para respirar."
Os preços ao consumidor provavelmente aumentaram 0,6% no mês passado na base mensal, depois de terem saltado 0,9% em março, segundo previsão de uma pesquisa da Reuters com economistas. As estimativas variaram de avanço de 0,4% a 0,9%.
A moderação após registrar o maior aumento desde junho de 2022 foi principalmente mecânica, disseram economistas. Os preços do petróleo subiram acima de US$ 100 por barril em março após os ataques contra o Irã, antes de recuarem para níveis ainda altos após um cessar-fogo no início de abril.
Os preços da gasolina provavelmente foram responsáveis pela maior parte do aumento do índice de preços ao consumidor no mês passado, após um aumento recorde em março.
Nos 12 meses até abril, a projeção é de que o índice tenha avançado 3,7%. Esse seria o maior aumento anual desde setembro de 2023 e se seguiria a uma alta de 3,3% em março.
O Fed, que acompanha os índices de preços do PCE para sua meta de inflação de 2%, deixou no mês passado a taxa de juros de referência na faixa de 3,50% a 3,75%.
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